21.8.14

Não me venham falar de fraquezas. Só fazemos o papel de coitadinhos e desgraçados se realmente o quisermos. 

A mania típica dos portugueses, de se queixarem de tudo e todos, de viverem sempre como se tivessem uma corda amarrada ao pescoço, ou a sofrer de lepra. Não se aguenta. Aprendi nos últimos dias a viver de uma maneira diferente, a olhar para as situações e para a minha vida com outros olhos. Regra geral, um dia menos bom era logo motivo para baixar os braços e atirar a toalha ao chão, dizer mal deste mundo e do outro e desanimar.

Tenho convivido com pessoas que me mostram e me ensinam que o meu queixume, muitas vezes, é coisa de menina mimada. E essas pessoas nem se apercebem que me estão a dar uma lição de vida. Uma lição que faz de mim, mais e melhor pessoa, profissional, colega. E isso não tem preço.
Sem serem extraordinárias, são motivadoras. Sem terem super-poderes, são fortes e resistentes. Fazem o que podem, como podem, com o que podem e da maneira que podem, sempre com um sorriso nos lábios, uma palavra amiga e um espirito de entre-ajuda extraordinário.

Trabalho nesta empresa e neste ramo há 10 anos. Nunca me tinha sentido verdadeiramente assim. Nunca tinha feito parte de uma equipa. Agora, sei o que isso é.

Sei que há trabalhos piores que o meu, situações precárias, abusos, explorações. Sei que há trabalhos mais duros, mal pagos, indecentemente protegidos e valorizados. Mas não posso falar dessas realidades, porque não as conheço. Conheço a minha.
Acordar às duas e meia da manhã, para entrar às quatro. Trabalhar de pé, a maior parte do tempo; o desgaste físico, a exposição a agentes agressores, a doenças; o risco que a minha profissão tem; atender pessoas, de preferência com um sorriso nos lábios, mesmo as que nos maltratam e mesmo assim trabalhar com afinco porque estamos a tentar proteger essas vidas; comer quando calha e à hora que der, quando dá; Sair quando pode ser, que quase nunca é mesmo à hora da nossa saída, oito, nove, dez horas depois disto. Chegar a casa e pensar em desistir mil vezes. E mesmo assim, voltar a acordar todas as noites à mesma hora. E levar a profissão a sério.

Não. Não é para todos. Mas também não é para super-homens e mulheres maravilha. Somos todos comuns mortais. E não, não podemos ser coitadinhos nem desgraçados. Não nos podemos sentir assim nem permitir que pensem isso de nós. Há sempre quem faça muito mais e dê muito mais de si, que nos envergonha na nossa patética maneira de ser. Sempre a dramatizar, a lamentar, a chorar sem lágrimas.

Saio daqui diferente. Muito diferente. E só tenho a agradecer.

7.8.14

Os primeiros dias. >>


Chegámos e estranhámos. Isto é um mundo completamente diferente. Realidades diferentes, métodos diferentes, pessoas diferentes. Muito diferentes. E se eu vinha com uma ideia pré-definida do que provavelmente poderia encontrar, a vida ensinou-me mais uma vez a não dar nada como garantido. E a vida surpreende-nos pela positiva, de vez em quando.
Graças aos santinhos, somos duas pessoas muito despachadas. Acho que depois disto, podemos ir fazer uma perninha a qualquer lado do planeta. O mais certo é que nos safemos maravilhosamente.
Estamos a aprender muito com estas pessoas que, mesmo trabalhando no mesmo ramo que nós, o fazem de maneira diferente, com condições diferentes e, por incrível que pareça, com um entusiasmo e uma dedicação muito superiores à que estou habituada. E se esta não for uma das lições mais importantes e valiosas que levo desta experiência, então não sei o que será.
Dou por mim a achar que todos os que trabalhamos lá no Algarve, deveríamos fazer uma temporada na capital e aprender com estas pessoas uma das qualidades mais importantes para se trabalhar em equipa: companheirismo.
Estamos de quatro, cansados, estoirados mesmo. O ritmo é alucinante; o desafio é tentador e viciante. Embora nos saia do corpinho e nos doa tudo quanto é músculo e articulação, saímos de serviço com a sensação de termos feito tudo o que podíamos pelo nosso turno, com a sensação de dever cumprido.
E apenas se passaram cinco dias. Portanto, isto promete!



1.8.14

primeiro de agosto


Era suposto estar no Algarve. Não de férias, como a grande maioria, mas a trabalhar. Em vez disso, estou na capital. Não de férias, como gostaria, mas a trabalhar. Uma realidade diferente, que abraço com todo o profissionalismo que tenho e que espero que me surpreenda pela positiva.
É só um mês; são só 31 dias, com a agenda cheia e preenchida até nas horas vagas. Queremos muito aproveitar tudo, mas o trabalho não é propriamente fácil para nos dar a energia que precisamos para satisfazer as nossas vontades. Veremos o que nos espera.
Olá Agosto! Faz-nos o favor de ser um mês excelente.

30.7.14

As coisas que eu quero que saibas.

Vais crescer depressa demais e nem tu nem eu daremos pelo tempo passar. Umas vezes vais achar que eu sou uma mãe porreira, noutras vezes vais emergir no teu mundo e só me darás licença para lá entrar se quiseres. Vais ter desilusões, as tuas amigas vão ir e vir como as marés, mas eu estarei sempre aqui, de braços abertos para te receber. Muitas vezes não entenderás as minhas decisões, mas quero que saibas que as tomo porque só quero o melhor para ti.
Quero que tenhas orgulho em ti e em nós, que saibas o valor que tens e aquilo que representas. Quero que preenchas a tua vida com amor e alegria. Quero que te valorizes e que nunca deixes que te digam que não és boa o suficiente, ou que não és capaz de fazer o que quer que seja. Quero que tentes e que proves que, se tu quiseres, tu vais onde desejas e que ninguém te pode dizer o contrário.
Quero ser a primeira pessoa que tu procures quando estiveres triste. Quero ser a tua primeira opção numa aflição. Espero que encontres o amor da tua vida, embora saiba que muitas vezes nessa busca encontramos muitos dissabores e decepções. Mas nunca deixes que um homem te subestime ou te rebaixe. Ama sempre muito e verdadeiramente. Apaixona-te pelo que te fizer verdadeiramente feliz.
Não permitas que te controlem o pensamento, que te julguem pela tua aparência, que menosprezem as tuas origens. Quero que te sintas bem contigo própria, sejas gorda ou magra, alta ou baixa. Porque o nosso amor-próprio é uma importante ferramenta na construção de quem somos. Se não gostares de ti, não conseguirás gostar do resto do mundo.
Nunca te esqueças dos valores que te ensinámos, da educação que te demos. Se faz favor e obrigada, sempre fizeram a diferença. Sê tu própria e não um espelho dos outros. Respeita o próximo. Chora, ri, vive, conhece o mundo. Voa sempre que quiseres, mas volta ao teu ninho sempre que puderes.
E nunca, nunca te esqueças, que do amor foste feita, que toda tu és amor e que é do amor que te temos que vivemos.

29.7.14

perguntem-me onde gastar dinheiro, que eu respondo.

philips



E a compra de hoje é assim para o puxadinha. Pela módica quantia de cerca de 210€, podemos trazer para casa a tecnologia de remoção de pêlos a luz pulsada. Ok, não é para todas as carteiras, mas se formos fazer as contas, pensamos duas vezes. A saber: quanto nos custa fazer a depilação total numa esteticista? E se formos a um centro de beleza fazer o tratamento de luz pulsada, a quanto nos sai cada sessão? Pronto. Aqui aliamos a facilidade de fazer o tratamento em casa, com o baixo custo. E será que funciona?
Bem, eu já tinha feito duas sessões, há cerca de três anos, num centro de tratamento especializado. Na altura, vi resultados logo após a primeira sessão. Entretanto engravidei e não pude continuar.

Desde que comprei a Philips Lumea Comfort, ainda só fiz uma sessão e tcharan!, estou a ver resultados. O pêlo demora mais tempo a crescer e em algumas zonas já nem cresceu por completo. E isto com apenas uma sessão! Convém que saibam que eu sou daquelas infelizes que representam bem a nossa evolução da espécie. Portanto, resulta mesmo!

Os primeiros tratamentos devem ser feitos com duas semanas de intervalo e não se deve apanhar sol (idas à praia devem esperar, logo a melhor altura do ano não é esta!) ou aplicar auto-bronzeadores. De resto, todas as informações e recomendações vêm muito bem explicadinhas no manual do utilizador. Dá para a menina e para o menino e dos olhos para baixo vale qualquer zona. É prática, funcional e muito intuitiva. A minha nova amiguinha!

plus size.


Cinquenta e quatro quilos. Foi um dos pesos mais baixos que me lembro, na minha existência. Um ano antes de engravidar do Manel. E nunca gostei do que vi no espelho. Achei sempre que estava sempre qualquer coisa a mais, ou nas ancas, ou nas pernas. Entretanto, engordei. Foram quilos galopantes. Daqueles que se vão notando de semana a semana. A frustração e a angustia que me consumia, porque cada vez mais deixava de gostar realmente do que via em mim. Calças postas de parte, túnicas mais largas, pouca confiança e amor-próprio. Entretanto, engravidei. Deixei de me preocupar com as formas do corpo, para me importar verdadeiramente com o que gerava dentro de mim.
O choque foi-se dando lentamente quando nasceu o Manel. Os últimos dez quilos a perder para chegar aos sessenta, que tinha antes de engravidar, pareciam não querer sair de mim. Tinham-se instalado para sempre à volta da minha cintura, nas bochechas da cara, nas coxas. Mais uma vez, olhar para mim, ao espelho e aceitar o que via, era um grande desafio. Não se tratava de falta de vontade ou de espírito de sacrifício. A verdade é que eu nunca fui muito dada a ginásios e as dietas não me seduzem. E os meus horários não me permitem ter uma vida organizada no tempo e no espaço, para poder investir assim em mim. Na verdade, qualquer desculpa que eu pudesse dar para não ter feito muito por perder os quilos que me incomodavam, não eram verdadeiras desculpas. Eu só inventava escapes para a inércia, para a preguiça. No fundo, do que é que eu estava à espera? Não existem soluções milagrosas. Se queres trabalhar o teu corpo, tens de fazer isso mesmo: trabalhar!

Aos poucos [muito lentamente] tenho perdido um ou outro quilo. De vez em quando assumo atitudes radicais: dieta rápida, detox, batidos. Tudo coisas que nos iludem de uma realidade que está mesmo à nossa frente: não existe uma dieta que funcione verdadeiramente. O que nós temos de aprender é a fazer uma alimentação cuidada, saudável. E precisamos de exercício físico para tonificar o nosso corpo. Precisamos de aprender a comer e precisamos de nos exercitar. Tudo q.b., tudo com peso e medida, tudo naturalmente e sem obsessões. 
Mas, acima de tudo isto, existe a maior das motivações: amor-próprio. Gostarmos de nós e sentirmos que estamos bem com o corpo que temos, é o nosso melhor aliado para conseguirmos estar em paz.
Acredito que muitas destas inquietações e desconfortos se prendem com a imagem que a sociedade define de beleza. Uma mulher magra é mais bonita, provavelmente mais bem-sucedida, é melhor aceite socialmente. Olhamos e criticamos mais facilmente uma mulher gorda, pela maneira como se veste, do que o fazemos com uma magra. Os padrões sociais invertem-se na hora de avaliar duas mulheres completamente diferentes, no que respeita a questões de peso. Infelizmente, esta é a realidade. A própria indústria de moda feminina exclui dos seus padrões os tamanhos grandes. Os manequins das montras parecem cidadãs do Biafra. É duro e cruel, mas é a realidade. Digam-me: quantas apresentadoras de televisão, por exemplo, estão acima do peso? Ou actrizes? Vivemos com a imagem do que o que vende é magro, seco, sem gordura localizada. E isto entra pelo nosso subconsciente a dentro. Infalivelmente.

E vai daí, dou de caras com esta menina, toda ela roliça, com um sorriso encantador e uma cara linda. Pela primeira vez, a Pirelli, conhecida por lançar calendários destinados ao público masculino [os célebres calendários dos mecânicos, serralheiros e afins], fotografa e publica entre meninas de cintura de vespa e rabinhos pequeninos e empinados, a bonita Candice Huffine. Contra todos os padrões de beleza impostos. Num acto misto de rebeldia e coragem, onde se mostra a beleza das verdadeiras curvas femininas. Ela, que ao lado das outra modelos, dá uns quinze a zero em naturalidade e autenticidade. Ela, que pela primeira vez e verdadeiramente, representa a maioria das mulheres neste planeta. Com as suas gordurinhas, a celulite, as covas nos joelhos, o peito farto. E com toda a graciosidade que roça o saudável, que no fundo, é o que se quer.
Então, eu olho para mim. Estabeleci uma meta quando me determinei a perder peso. Fixei o alvo que marca os cinquenta-e-oito na balança. Tenho sessenta-e-três. Faltam cinco. Já não o vou fazer porque não gosto de me ver com tshirts justas. Vou fazê-lo só se eu quiser mesmo, não porque uma sociedade me mostra que tenho de o fazer. Até porque, felizmente, creio que o mundo em que vivemos está a acordar para este problema. E os passos estão a ser dados, pelas grandes marcas que nos apresentam a Candice e outras tantas, modelos que representam as mulheres reais. Com corpos reais. Sem medos ou preconceitos.




28.7.14

perguntem-me onde gastar dinheiro, que eu respondo.

Untitled #24


Ou eu sofro de uma grande memória selectiva ou não me lembro de um verão tão merdoso como este, em toda a minha existência.
Acabo de ir à varanda ver se a roupa já secou. Noutros verões, a esta hora, estaria ainda um calor abrasador, quase sufocante. O ar quente entrar-me-ia pelas narinas e queimaria a garganta. Hoje não. Confesso que até me arrepiei com a brisa fresca, o vento forte.
Se bem que eu e grandes calores não vamos à bola juntos, isto assim também não tem graça nenhuma. É a mesma coisa que dizer que estamos em Julho [e estarmos mesmo!] e agir como se estivéssemos em Março. Não tem lógica absolutamente nenhuma. E chateia.

Pedes pouco para ser feliz. E és feliz de muitas outra maneiras, que eu sei. Mas isto, enfim.. isto está-te no sangue, na pele. Não precisas literalmente dela para viver, mas sem ela vives um pouco pela metade.
Nunca vi ninguém tão livre e descontraído como tu, quando assumes o controlo no guiador e rodas o punho. Cada ronco de motor é uma batida cardíaca. Vê-se nos teus olhos. Sente-se no teu sorriso de menino pequenino a quem se acabou de dar um doce. Como pode uma máquina fazer tanto pela felicidade de um homem? Um homem crescido, de barba rija, a ceder à adrenalina de voar baixinho, a entrar num mundo quase solitário onde o prazer de conduzir se sobrepõe a qualquer outra coisa.
Sim, tu pedes muito pouco para ser feliz. Duas rodas, cilindros em v ou em linha, o som apaixonante do motor, qual banda britânica em memorável sinfonia. A estrada à tua frente, sem destino nem hora marcada, umas boas curvas, o vento a favor e o sol a brilhar. A liberdade e a paixão com que te entregas é uma coisa que não sei explicar por palavras. Só te admiro. 
E arrumava agora dois pares de roupa, as escovas de dentes e as carteiras. Ia contigo onde quer que fosse. Só tu e eu, a estrada à nossa frente, sem destino, sem pressas. Só tu e eu e a nossa vontade de sermos estupidamente felizes. Só a tua alegria. Só o meu consolo de te ver feliz. E tu, que pedes tão pouco para o ser..
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27.7.14

Saudade não se define, sente-se. E chega a doer tanto como uma ferida aberta. Sinto-te em cada bater do meu coração e tenho tanta vontade de te tocar a pele, de te cheirar, de percorrer os meus dedos nos teus cabelos, que sufoco entre cada respirar. Tu que és parte de mim e que de mim vieste a este mundo, que no teu sorriso me perco e me acho, que o amor que te tenho é grande demais para carregar no meu coração. Não me sais do pensamento e quanto mais sinto a tua falta, mais te quero, mais preciso de ti, das tuas mãos pequenas nas minhas, dos teus beijos sinceros e doces, do teu olhar calmo e inocente procurando o meu. E no silêncio escuto a tua voz, o teu riso; fecho os olhos e ali estás tu, nas tuas brincadeiras, na tua alegria, no teu mundo. Os teus braços abertos na minha direcção, correndo para o meu abraço, de sorriso rasgado. Preciso de ti para quase tudo nesta vida. E quero tanto estar contigo que o meu coração encolhe de dor e tristeza por te saber longe. Saudade não se define, sente-se. E dói, dói muito esta saudade de ti.

[para a minha M.]

24.7.14




Os dias quentes são convidativos. Uma esplanada, um areal, ir só ali pôr os pés de molho. Dispenso a areia [alcatifar a praia ou mandar plantar relva até à beira-mar era uma boa opção] mas não dispenso o mar, o cheiro da água salgada, o bronzeado na pele. Há muito tempo que não passo umas boas horas assim. No descanso do corpo e da alma. Estar ali só por estar, para carregar energias, fazer fotossíntese, aquecer a alma e limpar a mente. Gosto tanto dos dias assim.

No mês em que todos fazem a auto-estrada no sentido sul, nós iremos para norte. Desengane-se quem acha que vamos estar de papo-para-o-ar, a ver passar os navios, na lanzeira das férias. Não senhora. Nós quando nos metemos em aventuras, é à séria. Não é para meninos.
Aceitam vir fazer uma perninha à capital, a modo de reforços? Pois sim senhora, mas está claro que sim. Eu visto o fato de super-mulher, ele vai tipo spider-man e carregadinhos de poderes mágicos lá vamos experimentar a modalidade Agosto-na-capital. Num aeroporto à seria, com movimento à séria. Tudo tão à séria que estou quase a ter um colapso nervoso e desistir.
Sim, confio nas minhas capacidades. Sim, sei que sou uma profissional exemplar.. mas tenho muito receio da realidade que vou encontrar. A única consolação é saber que no fim do mês estou de volta. Com uma experiência única para contar. Desejai-me sorte!

22.7.14

Nunca sabemos quando o nosso destino pode ser mudado. De um dia para o outro, de uma hora para a outra, num minuto. O melhor é não dar nada como certo, não garantir que temos tudo controlado. E tentar viver assim sem stressar, sem ansiedades ou medos. Pode parecer um contrassenso, uma questão difícil de equacionar, principalmente para quem gosta de viver sempre organizado e com os planos diários cronometrados ao segundo. Mas, o destino é imprevisivel e troca-nos as voltas. E temos de estar preparados para saber lidar com isso. Ou corremos sérios riscos de enlouquecer. E esta máxima vale para tudo na vida: amor, trabalho, saúde.. não somos donos do tempo, nem das voltas que ele dá. Dizem que somos nós que fazemos o nosso destino, mas eu não acredito. Ele já está escrito, nós é que julgamos que temos a decisão final.. e, no final, as coisas correm sempre como têm de acontecer.
O truque? Não desesperar. Afinal, estamos nesta vida de passagem e só temos de fazer com que seja uma viagem feliz!

19.7.14

From me to you » from mother to son

2 anos. Dois. E um amor que não pára de crescer.

O meu pequeno faz dois anos. E olho para ele incrédula. Como foi possível terem passados 24 meses assim, tão depressa, tão confusos, tão maravilhosamente felizes?
Eu sei, isto é uma espécie de cliché: ainda ontem o tinha acabado de nascer nos meus braços e hoje já faz dois anos. Sim, qualquer mãe dirá a mesma coisa, mesmo que não o admita e mesmo que seja lá no intimo do seu ser.
Caramba! Dois anos. Dois anos desta pestinha pequenina que veio pôr as nossas vidas de cabeça para baixo, desarrumar a casa toda, gritar e fazer birras, gargalhar sonoramente e alegremente sempre que alguma coisa o faz feliz. E sim, não tem nada a ver com a irmã. Ela, um poço de calma e ponderação, que aos dois anos já era capaz de ter mais maturidade que um puto de dez anos, sempre muito composta e bem-comportada. O dia e a noite. O Yin e o Yang. O reggae e o heavy metal. Mas super-apaixonados um pelo outro.
E agora eu podia desfazer-me aqui num rol de coisas que ele já faz ou diz, contar peripécias e histórias muito engraçadas sobre ele, gabar-lhe as qualidades e queixar-me do feitio que herdou da mãe. Mas não o farei. Este post tem outro propósito.
Serve apenas para lembrar que hoje, faz dois anos que pari o meu segundo filho. Ficámos ainda mais completos e somos ainda mais felizes. E a chegada do Manel veio inundar o coração da Mariana. Sinto que ao longo destes dois anos, a minha filha cresceu em todos os aspectos. Mas o que a mudou verdadeiramente foi sentir que existe uma espécie de amor que não se explica, que não se quantifica, que não se divide. E vê-los juntos, os dois cúmplices, faz-me acreditar que cumpri o propósito nesta vida: unir duas pessoas [as pessoas mais importantes do meu mundo] num amor sem igual.

Por isso, meu pequeno monstrinho, meu pequeno-homem, amor-maior das nossas vidas: sê imensamente feliz, com a certeza de que todos te amamos mais do que nos cabe no coração.

18.7.14

Regresso ao passado

Abro os olhos e tenho de novo quinze anos. Já é quase meio-dia, o calor lá fora é absurdo, sinto-me mole e sem energia. Tanto faz se é fim de semana ou quarta-feira. Estou de férias há alguns dias. O melhor e mais aguardado tempo do ano: as férias de verão. Os dias compridos, quentes, sem preocupações, sem horários, sem estudo. As noites de saídas, de amigos, de gelados e café na esplanada, de bares na praia, festas da espuma. Já tenho um bronze de meter inveja e a escola mal terminou. A vantagem de se morar com os pés na praia é mais-que-muita. Ainda andava às voltas com os testes e os exames e já passava tardes inteiras na praia. E não troco isto por nada.
Mas agora que os dias de férias chegaram, a minha vida resume-se a isto: acordar-almoçar-praia-jantar-sair-dormir. A minha mãe ainda não diz nada, mas lá para Agosto há-de gritar dia-sim-dia-não: «Deves achar que isto é um hotel! É só para dormir e comer!» E eu não vou ligar nenhuma, vou fazer ouvidos de mercador, que lá do alto dos meus quinze anos, a adolescência ataca com todo o seu fervor e só eu e as minhas amigas é que entendemos o verdadeiro sentido da vida. Logo, a minha mãe é uma louca histérica que só sabe dramatizar e complicar.
O meu canto é o paraíso. A agua é azul clara, quente; o areal é fino e grande. Não se precisa muito para ir: enfio o bikini, ponho a toalha debaixo do braço e levo uns trocos nos calções. Se não conseguir uma boleia com alguém, há sempre um autocarro a cinco minutos de distância. E se não me importar muito, sempre posso ir a pé. Ir à praia nestes dias é um pouco como voltar a estar no pátio da escola. Está quase lá meio mundo de amigos e conhecidos. E não usamos relógio. Ainda não foram inventados os telemóveis para o comum consumidor. Música só das colunas que as barracas de praia põem a tocar, ou o som de alguma viola por ali. Às vezes levo a minha e logo a seguir se juntam mais uns três ou quatro e estamos horas a tocar músicas que mal sabemos as letras e os acordes. Mas somos importantes por isso. É uma espécie de grandeza para o nosso ego. Com quinze anos, queremos ser conhecidos e populares. Ou pelo menos ser considerados 'fixes'.
Só sabemos que está na hora de voltar a casa quando já muita gente se foi embora e o sol começa a desaparecer para os lados de Albufeira. É a nossa deixa. Correr para casa, tomar banho, vestir o que aparecer, jantar e sair.


Sair para irmos ter com os mesmos amigos com quem passámos a tarde, quiçá conhecer gente nova, encontrarmos os filhos dos emigrantes da terra (que regressam a cada verão religiosamente). Rir muito, brincar muito, ter paixões de verão que são tão assolapadas como breves. E viver num misto de felicidade-infeliz porque sabemos que duram apenas quinze dias.
Todas as noites há festas nas praias. Fazemos fogueiras, dançamos, bebemos. De vez em quando vamos à discoteca dançar até ser de manhã. Numa tasca lá da terra fazem tostas toda a noite. Ou então vamos comprar pão-quente e uma barra de manteiga à padaria e fazemos do jardim da nossa terra a nossa cozinha. É raro chegar antes da uma. A minha mãe também costuma chegar tarde, porque depois de trabalhar também gosta de sair. Uma ou outra vez nos cruzamos à porta de casa e vou ouvindo o sermão da rica vida que levo durante estes meses. Do alto dos meus quinze anos, reviro os olhos e replico: tive óptimas notas, sou uma aluna-exemplar, ando na catequese e na Tuna, nunca me meti em drogas e confusões. Ela aceita, mas contrapõe sempre. Eu reviro os olhos mais uma vez. No fundo, já pouco oiço do que diz. Estou demasiado embrenhada em todas as sensações que uma rapariga de quinze anos sente. Especialmente quando é verão.
E aproveito os dias como se não houvesse amanhã. Porque é dessa rebeldia e inocência que somos feitos quando temos quinze anos. Sôfregos por viver. E fecho os olhos, mesmo sem vontade de adormecer, sabendo que no próximo dia viverei mais uma vez este estado de felicidade. Pouco sabendo do futuro, que não estará assim tão longe, em que nenhuma destas coisas se voltará a repetir.


11.5.14

» pause.

Não tem sido pela falta de tempo, tem sido por mim. Não tenho tido vontade, não tenho tido palavras. Mesmo tendo assunto, mesmo tendo imagens para ilustrar, cada vez que me decido a escrever fico bloqueada, chego a ficar um pouco enjoada. Não é que já não faça sentido, apenas não consigo sentir determinação ou vontade.
Este não será o ultimo post do Sweet; isto é uma pausa, um break que estou a fazer. Um recarregar de baterias, emoções e vontades. Vou encher-me de mundo e já volto.

[um beijinho a quem aqui vier, quem ficou desde sempre, quem há-de cá vir parar, mesmo aqueles que se forem para sempre]

8.4.14

[LABOUR AND WAIT] *London



Sabem aqueles lugares que julgamos não existir? Aqueles conceitos que achamos que não funcionam? É mais ou menos isto. Mas, com a prova de que, com vontade e se acreditarmos muito, as coisas resultam. Podia ser uma drogaria normal, vender parafusos e ferramentas. Mas é muito mais do que isso. É um voltar atrás no tempo, muito mais do que delicioso. E mesmo não tendo falta nenhuma de nada, querer trazer alguma coisa de lá.

7.4.14


esta receita absolutamente deliciosa
esta música que combina com o azul do céu
um desejo recalcado que anda a querer tornar-se realidade
.. e pintar os nossos dias com sabor a morangos! :)

These days are coming


Dá para acreditar que há dois dias atrás fazia frio e chovia? E que hoje está um dia de sol lindo, uma brisa quente a fazer lembrar o verão? Dá para acreditar que faltam pouco mais de dois meses e já estaremos na estação quente, na dos dias compridos e das noites de rua? Aqui já cheira a mar e a sol. Aqui já se sonha com a pele bronzeada e o sal no cabelo. Aqui já se passam tardes de esplanada. Agora sim, bem vinda primavera!

Dias off [o regresso]

Parece que o deixei ao abandono, mas não. Eu mesma nem sei para que lado me vire, tal não têm sido estes dias.
Depois dos dias em Londres [objectivo cumprido!], o regresso às rotinas, ao trabalho, à lida desta casa que não se limpa sozinha, eu já nem ando.. eu arrasto-me.
Precisava que os meus dias tivessem umas 50 horas, no mínimo, e que desse para eu dormir bastante [pulga pequena inclusive] para recarregar as minhas baterias.
E é isto. Ando a balões de oxigénio, no meio de uns quantos apertos, e a ver se me safo desta. Não estranhem a minha ausência. Afinal de contas ando entretida a viver.

19.3.14

uma playlist poderosa.


Reavaliar | Repensar | Reestrututar

Estamos a meio da semana. Depois de uns dias complicados, às voltas com a saúde dos pequenos [e fé em Deus que as coisas se estão a compor], eis que voltamos ao ponto de partida para voltar a planear todos os nossos projectos.
Estamos a uns dias de ir apanhar o nosso avião e aterrar em Londres. Já começo a sentir a adrenalina, o nervoso miudinho daquelas horas que antecipam uma viagem.
Esta viagem que nada tem de turistico, mas que vamos aproveitar para passear nos tempos livres. Já lá vão sete anos desde que estivemos em Londres. Ficou tanta coisa por ver, que agora até parece que vamos lá pela primeira vez.
Entretanto - e enquanto a hora do avião não chega - tenho de me concentrar e estudar que nem uma maluca. Ou vou bem preparada, ou lixo-me na certa. Dar parte de fraca ou fazer má figura não estão nos meus planos, por isso, arregaço as mangas e concentro-me nos pontos essenciais a reter.

Entretanto, o sol brilha, as andorinhas já voam por aqui, a temperatura ficou amena - tão boa, como eu gosto! A minha querida primavera está a chegar, de mansinho, sorrateira e feliz. E isso aumenta o nosso bom astral, deixa-nos felizes, dá-nos energia. E já não era sem tempo!

E, de entre todas, a minha favorita  She's only happy in the sun

11.3.14

agenda para 2014 [em aberto..]


Revisitar Londres | Grace do Mónaco | Ouvir no Rock in Rio | Apostar mais alto

11 M



Enquanto eu puder recordar este dia, assim o farei. Porque há coisas que não se explicam, há sentimentos que não se definem, há memórias que têm de ser partilhadas. Para que nunca esqueçamos que inocentes pagam caro por uma guerra que não é sua. Porque a vida não tem preço, porque o amor e a paz deviam estar acima de qualquer coisa.. porque dias assim me deixam de coração apertado. Porque manter viva a memória é tudo quanto podemos [ainda] fazer.

* em memória das vitimas dos atentados de 11 de Março - Madrid.

A Faringite que afinal não era.

Suponhamos que eu paguei 75 euros num hospital privado por uma consulta de urgência na pediatria. Que na mesma urgência, a pediatra que viu o meu filho examinou-o por cerca de cinco minutos. Diagnosticou faringite, mandou suprimir os analgésicos porque diz que assim camuflamos a febre e dá-nos ordem de soltura com maxilase e ''isso passa''. Suponhamos que eu fiquei contente com o resultado e plenamente confiante no olho clínico da senhora.
Suponhamos que eu me deixava estar, indiferente aos berros de dor, dos choros, da dificuldade em comer e engolir, da impertinência constante e do mal estar geral.
Provavelmente, a esta hora, as coisas já estariam bem piores.
Como não consegui ficar indiferente ao sofrimento do meu filho, no fim da tarde fui ao pediatra do coração.
Uma hora depois de ter sido cuidadosamente examinado e 75 euros depois, saímos de lá com tratamento para a estomatite aftosa. Tudo a ver com o primeiro diagnóstico.
E eu juro que não consigo entender estas coisas. Privado, público, carniceiros ou feiticeiros, com dinheiro ou sem, se não temos sorte [porque é cada vez mais disso que se trata - ter sorte!] acabamos por andar enrolados e piorar situações que podiam ser facilmente resolvidas.
Cento e cinquenta euros depois, mais despesas de farmácia e deslocações, o meu filho está a ser tratado para o problema que realmente tem. Se tivesse ido ao público, provavelmente teria tido sorte melhor. Ou não, porque os pediatras que servem a urgência publica são os mesmos que estão no privado. Nunca saberei.
Só tenho apenas uma certeza: vou fazer uma reclamação por escrito para o hospital privado. E nunca mais quero os meus filhos nas mãos daquela doutora.

10.3.14

Sabores de Outono, com vista na primavera.



esta receita »» aqui.
é fazer, provar, fechar os olhos e idealizar o céu. é ali, em cada dentada. ♥






E há lá coisa que menos esperava por estes dias? O gaiato sem um "ai" por mais de quinze dias? Estranho, pois sim senhor. Até este fim de semana. Duas noites sem dormir, aos berros (literalmente), eis que temos o veredicto: olá sô dona Faringite, como tem passado?

...

Caramba, já não há pachorra para isto. Uma pessoa vê uns raios de sol e pensa, já está, acabaram-se as ites e companhias. Daqui para a frente é só calor e saúde. Wrong! Completamente wrong. Que isto de se ter moços pequenos já se sabe como é.
E a mim que, de vez em quando, me passa pela cabeça ter três? Doente, não? Só posso.

6.3.14

Esta minha filha..

Tem dias em que é um doce: faz tudo o que lhe mandamos, respeita as ordens, cumpre tarefas sem queixumes. Nunca foi de birras, nem de chinfrins. Mas tem uma veia que me deixa os cabelos em franja: faço o que me dá na bolha sem tomar atenção se realmente estou a fazer bem. E depois do mal estar feito, fica a olhar para nós, tipo carneiro mal morto, à espera da solução.
Desta vez vou ter de a ensinar a assumir os seus erros. Prometeu à sua melhor amiga que lhe oferecia um frasco de Nutella com o nome da menina. O pai comprou-lhe ontem o dito frasco e trouxe o autocolante com o nome da menina. Hoje ela achou que decidia o futuro daquilo. Vai daí, cheia de boas intenções -eu sei- colou o autocolante directamente no frasco por encetar. Resultado? Quando a amiga encetar o frasco, vai-se a personalização à vida. E o frasco de Nutella a dizer Matilde vai continuar a dizer Nutella, como outro qualquer frasco de Nutella normal.
Quando lhe expliquei o que tinha feito, perguntou se podia comprar outro. Não, não podes. E amanhã vais explicar à tua amiga que não tens nada para lhe dar porque estragaste o frasco.
Segundos depois achei que estava a ser dura, mas sei que assim ela vai aprender a lição de que se não sabe ao certo o que está a fazer, deve procurar ajuda.

E vou comprar outra Nutella e mais um autocolante a dizer Matilde e levo no fim das aulas. Sim, porque eu sou mãe, não a Cruella.

5.3.14

Tudo a postos. Detalhes pensados, datas definidas, tudo planeado e organizadinho. Agora, a parte mais difícil da questão: gerir o meu tempo para me preparar para o que aí vem. Tudo isto com uma certeza, dar o melhor de mim. Tudo isto com a convicção de que quem não corre atrás do que quer, tem de se contentar com o que lhe sobra.
Se consigo ou não, não sei. Uma lufada de sorte [muita mesmo] e uma boa dose de concentração e trabalho árduo fazem parte deste novo cardápio. Também não esperava que fosse fácil. E as batalhas mais renhidas são as mais saborosas.
Entretanto - e enquanto os dias não passam e eu me agarro de unhas e dentes a isto - já ganhei na barriga um montão de borboletas, que não me deixam esquecer o quão nervosinha estou. E cada vez que penso que estou quase lá, sinto-me tão bem. Assim. 


uma verdade [quase] inquestionavel

Por cada pessoa que te diz «vai em frente», aparecem dez para te desencorajar.

4.3.14

Estamos a poucos dias do regresso da minha adorada Primavera. Mas, por incrível que pareça, parece que os dias ficaram mais frescos, mais ventosos. Aqui na minha praceta, as árvores já lançam aquele pólen amarelo, que pinta os carros e faz uma grande porcaria nos vidros. Os bichos estão a voltar aos poucos, a habitar a nossa varanda.. e parece-me ter ouvido andorinhas esta tarde.
Quero muito tardes amenas, quero muito aquele calor do meio-dia, quero muito café na esplanada sem cachecóis e edredons em cima. Can't wait for you, dear Spring.
Dizem que o bom atrai o bom. Que termos uma posição positiva e optimista nos leva a alcançar as nossas metas mais longínquas, os nossos patamares mais elevados. Parece-me bem. Embora me custe um bocado a acreditar que só com os pensamentos positivos é que lá chegamos, porque isto de viver tem mais do que se lhe diga. A vida não é perfeita para ninguém, não é cor-de-rosa ou azul ou da cor que lhe quisermos dar, porque os dias cinzentos e negros existem, os maus momentos acontecem, os infortúnios assombram.
Vai daí, dei por mim a questionar-me que raio de psicologia é esta, a de que estamos sempre muito bem e felizes, que a vida nos corre de feição, que encontramos sempre o caminho e as pessoas certas, invariavelmente as mais felizes também com a vida. E que tipo de realização, tanta felicidade e bem-estar nos proporciona esta postura sobre a vida.
Num dos blogs que costumo seguir, transpira-se felicidade. É porque sim, é porque não, é porque ai-que-eu-tenho-a-família-mais-feliz-do-mundo, é porque a minha casa blá blá blá, é porque eu só como coisas boas, posso estar do tamanho de um urso panda, mas sou tão feliz à mesma, extremamente realizada, sortudamente feliz. Não invejo, não critico, não condeno. Tenho o discernimento de não voltar a lêr, se assim o entender, afinal de contas sou uma pessoa adulta, que sabe bem por que caminhos andar. Para além disso, cada um faz do seu blog o que quer, escreve sobre o que quer, dá-lhe o tema que quer.
Mas desconfio. Desconfio sempre muito destas felicidades plenas e com ar de muito pouco naturais. Confesso que, para além de desconfiar, também admiro um bocado a capacidade de transparecer sempre que a felicidade é possível.
Mas.. e há sempre um mas para mim, não sei até que ponto estas posturas optimistas e positivas não deixam de ser um pouco falsas. Para quem defende com unhas e dentes a autenticidade das pessoas, impingir sempre a mesma cantiga de que somos todos muito felizes, parece-me contraditório. 
As pessoas zangam-se, as pessoas discutem, as pessoas perdem coisas, perdem oportunidades, acordam feias e sem disposição para fazer repastos culinários aos filhos; as pessoas chegam atrasadas, têm acidentes no trânsito; as pessoas ficam doentes, perdem empregos, têm contas para pagar; as pessoas não acordam e se deitam felizes todos os dias, porque as pessoas têm frustrações e medos, têm momentos de angustia e desespero. E as pessoas são assim porque a vida não é um conto de fadas.
Não concordo que se faça este tipo de lavagem cerebral, ao estilo da psicologia mais barata, que mais parece um tapar o sol com a peneira. Ensinem às pessoas que viver custa, que tem dias maus, mas que os bons fazem-nos esquecer os maus; escrevam que choramos muito mais do que gostaríamos, mas que muitas vezes é da raiva e da frustração que vamos arranjar força para seguir em frente; expliquem que estar triste não é o fim do mundo, pelo contrário, ensina-nos a valorizar muito mais pequenas coisas a que não damos importância. Escarrapachem nos vossos textos mensagens de paz, de amor, de conquista. Estas coisas são possíveis depois de grandes tormentas nas nossas vidas. Somos pessoas de carne e osso, temos os nossos defeitos, as nossas qualidades, as nossas grandezas e os nossos momentos de fraquezas. Vencemos, erramos, fazemos disparates. Vivemos. E [todos] sabemos isto: a vida não é um conto de fadas, por isso deixem de querer parecer princesas da Disney. 

25.2.14

Há uns anos boicotei as bebidas com gás, refrigerantes entenda-se. A resolução funcionou na perfeição, uma vez que muitos dos quilinhos que tinha a mais, se foram como que por magia. Meti na cabeça que nunca mais cometia o mesmo erro, o de sentir o borbulhar doce de uma coca-cola, ou de me refrescar com um sumol de laranja ao jantar.
Este jejum ao gaseificado durou o seu tempo, para terminar em desgraça há coisa de duas semanas. Tudo começou com uma ida à churrasqueira. O marido sugeriu, uma seven-up fresquinha com o frango assado. Lembrei-me que era só o meu refrigerante preferido. Cedi. Marchou um litro e meio enquanto o outro esfrega um olho. Passados uns dias, bebi mais. Há duas semanas que quase todos os dias bebo uma seven-up.
Está provado: um viciado tem sempre recaídas. Ou me ponho a pau, ou os quilos que se foram qualquer dia me batem à porta e se instalam de armas e bagagens na cintura, nas ancas, no rabiosque. Ou me mentalizo que aquela porcaria sabe bem mas faz mal, ou então estou desgraçada.
Rehab comigo já.

Das boas [e maravilhosas] descobertas.



Obrigada A Secretária "Encantada"!! =)

24.2.14

Era menina para comprar um de cada. Encher a minha sala com todos eles. Acabar por lhe pôr muitas almofadas, cheias de cores e padrões. O enfadonho mono preto que tenho a servir de sofá está uma lástima [mães deste mundo, levantem as mãos se estão comigo!], vitima de pés de crianças, saltos e muitas horas de brincadeiras lá em cima.
O senhor marido tinha um treco se eu lhe dissesse que queria trocar de sofá. Pior: tinha um treco se eu lhe dissesse que queria um arco-íris destes na minha sala.
Mas, convenhamos, são uma perdição, uma tentação. A mim, enchem-me as medidas!
Não tenho tido muito tempo para me dedicar ao meu cantinho, é verdade. Um dia imaginei que poderia vir a ser uma blogger à séria.. enganei-me. O atropelo dos dias, muitas vezes, faz com que seja impossível aqui vir. E, a maior parte das vezes, nem se trata de não ter sobre o que escrever. Tempo. Preciso de tempo. Mais tempo.

18.2.14

#winter look

O ano passado, a minha mãe ofereceu-me um colete muito parecido com este, comprado na Primark. Ao principio não lhe achei muita piada. Sempre o fui conjugando com pretos. Hoje, encontrei um novo rumo para lhe dar. Amei!

Aqui tão perto e tão longe.

Há momentos em que acho que és uma espécie de ouriço caixeiro. De vez em quando [mais vezes do que gostaria] faço-te a mala, meia-dúzia de camisas engomadas, as gravatas e as calças de fato e fazes-te à estrada. O trabalho assim o obriga.
Não me queixo porque sei que é a obrigação de quem recebe o pão para a nossa boca. Mas reclamo, por dentro, aos gritos, o peso da tua ausência e as voltas que a nossa vida dá, de cada vez que tens de ir.
Hoje estás, mais uma vez, longe. São só uns dias, passa rápido, vais e vens depressa. Mas estás longe. Tão perto que até irrita, mas tão longe que me consome.
.. e esta casa, silenciosa demais.

15.2.14

seven


Há sete anos escrevia pela primeira vez neste canto. Para trás ficaram blogs deitados ao abandono, que não faziam sentido, que não me diziam nada, que não me identificavam. Este sobreviveu, tendo em conta que nem uma planta eu consigo fazer com que viva, para mim é um grande feito não deixar morrer um blog. Não só sobreviveu, como também cresceu, amadureceu, sofreu mutações, alterações. Foram sete anos de histórias, medos, alegrias, incertezas. Foram sete anos de mim. Dizem que qualquer relação treme ao fim de sete anos, que se aguenta é para a vida toda. Ultrapassamos a barreira dos sete e eu quero muito continuar a ter muito que contar aqui.
Obrigada por não terem deixado morrer o Sweet. Obrigada pelas amizades que fiz, pelas pessoas boas com quem me cruzei, pelas vossas palavras, pelas vossas histórias, pela partilha. Muito, muito obrigada! ♥

11.2.14

moto style

moto

Eu casei com um motard. Este gosto foi-me quase imposto. Mas foi um gosto que depressa me apaixonou. Só ando de mota com o meu marido [o melhor condutor que conheço] e sempre me senti segura. Não vejo a hora de o ver outra vez, como uma criança feliz, com o seu brinquedo de duas rodas. Não vejo a hora de me sentir livre, ao sabor do vento, puxada por essa força bruta que é a paixão pelas motas. Um dia, tenho a certeza, teremos uma bichinha nova.

10.2.14

kitchen moods #i♥itall



Hoje faz 14 anos. Há tanto de ti e dos teus ensinamentos em mim.. muito mais do que eu poderia alguma vez imaginar. Dizem que herdei a tua veia doce, o teu talento para criar. Eu ainda acho isso um exagero, mas sabe-me bem ouvi-lo, porque muito mais do que fazer-me bem ao ego, é um elogio muito grande poder ser um pouco comparada a ti.
Gostava de ter herdado também o verde dos teus olhos. Fiquei com um pouco deles quando muda o tempo, ou quando vou à praia. Mas os teus eram imensamente verdes. E gostava de ter herdado tantas outras coisas de ti. Coisas que nem nas tuas filhas eu vejo, porque também elas não herdaram.
Sei que estás onde pertences e sei que estás em paz. E sei que um dia nos reencontraremos num abraço. Enquanto esse dia não chega, olha aí de cima por nós. Minha Alicita, minha avozinha..

7.2.14

room



Um dia destes vamos ter uma dor de cabeça cá em casa. Sem nos querermos ainda desfazer do nosso pseudo-escritório e atendendo aos pedidos da mais velha, vamos ter que pensar num quarto para dois. Para ele e para ela. Já é bonito só de imaginar, nem quero pensar quando a festa se fizer entre quatro paredes. Nós a querermos silêncio e eles na galhofa.
Não sei também quanto tempo durará esta algazarra. Não a estou a ver aí com os seus doze anos a querer aturar um miúdo de seis, a desarrumar tudo, a fazer porcarias e a entrar pelo mundo dela a dentro. A única coisa que sei é que vai ser bom enquanto durar. Vê-los juntos na sua cumplicidade é uma alegria enorme. O sonho que qualquer mãe tem.

# dream a dream of another me




Se eu fosse outra pessoa, certamente estaria a viver em Nova Iorque. Seria uma dessas solteiras com gatos, que andam de bicicleta, vão ao cinema ver filmes de amor, bebem litros de café e comem comida chinesa do take-away. Provavelmente seria ruiva, alta e esguia; teria um estilo indie, mas de vez em quando calçaria uns saltos altos e vestiria um vestido bonito. Estaria a trabalhar numa grande empresa, a fazer sabe-se lá o quê, mas muito provavelmente ligado à literatura ou ao jornalismo. Teria um blog, saía uma vez por semana a um bar cool, ia jantar fora com as amigas, lavava a roupa numa dessas lavandarias partilhadas, ia correr para o central park, comia um pretzel todas as manhãs.
E morava num daqueles bairros de cortar a respiração, com prédios vitorianos e árvores no passeio. E a minha casa seria a da Carrie, com um closet só para mim e uma chaise-long para os gatos.

6.2.14

O meu piolho mais pequeno tem uma adoração pelo Mickey. Chama-lhe Quiqui e vibra muito, mas mesmo muito com o simpático ratinho. Tudo pára se o seu Quiqui aparece na tv, ele ri e bate palmas. E eu fico rendida de tanta baba que me escorre. O meu pequeno é feliz. ♥

À Procura de Alice

A Alice tem 7 anos e é uma menina linda. Os pais estavam separados, ela vivia com a mãe e era muito feliz. Contudo, de um momento para o outro, a sua vida mudou. Foi de férias com o pai e nunca mais voltou.
A vida da mãe da Alice nunca mais foi a mesma também.

Como mãe, esta história parte-me o coração. Aquilo que vos peço é que se puderem divulgar esta página Find Alice , se puderem fazer um post nos vossos blogs sobre a Alice, se puderem publicar este vídeo, se puderem partilhar estas fotografias:

Quem sabe se alguém conhece estas duas pessoas que levaram a Alice. Alguém em Portugal, no Brasil, por essa Europa fora?
Não custa nada divulgar. Obrigada!


Dias frios combinam com doces quentes. Um bom chocolate, uma fatia de bolo, uma tarte de leite condensado.. panquecas. Estas aqui são panquecas de maçã. Tenho uma vontade enorme de me pôr a caminho da cozinha e arregaçar as mangas, bater ovos e farinha e lambuzar-me com umas dez iguais a estas. Talvez na hora do lanche, talvez no fim de semana, quando todos estivermos em casa.
A receita? Aqui, neste vídeo tentador.

este post é sobre o amor e uma pessoa muito especial.

Uma das maiores certezas que tenho na vida é esta: tenho um super-homem ao meu lado. Não é por ser o meu marido, porque até podíamos nem sequer ser casados, que eu teria exactamente a mesma opinião sobre ele.
Tem uma catrefada de defeitos, como qualquer ser humano. Mas as qualidades.. superam qualquer expectativa que se tenha do bom; apagam qualquer efeito negativo que um defeito possa ter; fazem dele um homem tão especial como único.
Hoje não é nenhum dia especial, não é uma data importante. Este post não é para comemorar nenhum evento na nossa vida. Este post é para recordar que grandes amores existem, que grandes e boas pessoas ainda lutam juntas, é para eternizar com palavras que ainda acredito no amor e na força que este tem. E que, no dia em que deixar de acreditar, certamente a minha alma terá morrido, porque um sentimento assim vai connosco para além da vida.
O meu marido, o meu homem, o meu eterno namorado e melhor amigo é um homem normal, comum a tantos outros homens neste mundo fora. O que o torna especial é o seu coração, a sua entrega, a sua bondade. E a força que me dá, todos os dias, para seguir em frente. E a forma como luta para nos proporcionar uma vida melhor, dias felizes, conforto e paz. A sua entrega e paixão enquanto pai, a sua determinação e coragem enquanto chefe desta família, a sua bondade e disponibilidade enquanto amigo, a sua protecção enquanto companheiro.
Dê a vida as voltas que der, estará sempre comigo.
Obrigada marido. ♥


4.2.14

Um lema para Fevereiro.


Fevereiro chegou com a força toda. Ou como se costuma dizer por aí, veio com fé! Ainda mal me tinha despedido de Janeiro (eu avisei que os meses passam a correr!), mal ponho o pé no mês dois, toma lá o puto com mais duas otites. Como se isso não fosse muito, toma lá uma bronquiolite aguda também no miúdo. E ainda não tínhamos chegado ao dia 3. Dia três, miúda constipada, com dores de garganta e a minha otite que não dá sinais de melhoras. Dia quatro, ainda aqui estamos em casa, os três de molho.
O único que se salva é o marido, que coitado, não tem outro remédio senão andar trabalho-casa-farmácia-supermercado-casa-trabalho.
E eu cheia de coisas para fazer, cheia de planos para cumprir. Dizem que fazê-los antes de saber se os podemos concretizar, não dá muito resultado. Dizem também (e eu atesto) que, quem tem crianças pequenas, o mais longe que pode ir no futuro é planear o que vai ser o jantar. Nada mais certo!

29.1.14

in l♥ve


E, se de repente, te dessem um estaladão tão grande na cara que ficasses sem respirar por uns minutos? E se, de um momento para o outro, o chão se abrisse e tu te sentisses a cair no vazio? Ou se uma força superior te chocalhasse por dentro? Assim, como um aviso, um safanão, um abre-olhos.
Algumas vezes na vida senti uma espécie de coisas assim. Há dias foi mais uma dessas vezes. Acreditar que não passam de momentos de sufoco e que, no fim, tudo termina bem como nos contos de fadas, é um mote que tento abraçar com firmeza. Uns dias com mais força que outros. Mas a fé move montanhas. E todos os dias, o sol nasce para nos iluminar.
Dia após dia, vou vivendo com este nó na garganta e tento focalizar-me nos pontos positivos. Eu sei, eu quero e eu tenho a certeza que «isto» é só um mau momento.

24.1.14

O pecado da Gula

Sugestão para este fim de semana. Preparados? Aqui vai a receita de uma tarte absolutamente divinal: Tarte de pêssego com cerejas e caju.



Ingredientes: 
crosta: 
1 1/2 xícaras de farinha de trigo 
1/2 xícara mais 2 colheres de sopa de açúcar superfino (granulado é bom) 
1/4 colher de chá de sal 
3/4 xícara (1 1/2 varas) de manteiga sem sal fria, corte em cubos pequenos 
caju frangipane
1 1/2 xícaras de castanha de caju torradas secas, finamente moídas (processador de alimentos funciona melhor) 
Açúcar 3/4 xícara superfino (granulado é bom) 
3 colheres de sopa de farinha de trigo 
3 colheres de sopa de manteiga sem sal, derretida e fria 
2 ovos, levemente batidos 
 1 1/4 colheres de chá de baunilha 
1/2 colher de chá de canela 
1/4 colher de chá de sal 
10-12 damascos vermelhos sem caroço e cortados em fatias (6 por damasco) 
25-30 cerejas, sem caroço e esquartejado

Instruções:
1 . Pré-aqueça o forno a 375 ˚ F.
2 . Para a crosta : Numa tigela misture a farinha , o açúcar e o sal. Coloque todos os ingredientes num processador de alimentos e pulse até formar uma massa . Uniformemente pressione a massa no fundo e os lados numa tarteira. Leve ao frigorífico por 30 minutos ( enquanto você faz o frangipane ) .
3 . Para caju frangipane : Misture o caju , açúcar, farinha , canela e sal. Adicione a manteiga e os ovos e misture até que esteja totalmente incorporado .
4 . Para montar: Despeje o caju frangipane na tarteira e espalhar uniformemente . Arrume os damascos em torno da borda até a fronteira. Use as restantes fatias de damasco para criar um círculo menor de damascos dentro da fronteira . Arrume decorativamente cerejas entre os damascos , usando os restantes pedaços de cerejas para o centro da torta .
5 . Coloque torta em uma assadeira e leve ao forno por 35 a 40 minutos ou até que o frangipane cresça e tenha um tom dourado ( um palito deve sair limpo quando inserido no centro do recheio ) .
6 . Retire do forno e deixe a torta arrefecer por pelo menos 1 hora antes de retirar da tarteira; fatiar e servir .




O mês de Janeiro começou com bons auspícios. Tive um pressentimento de que este novo ano ia ser o tal. Ia ser um ano de mudança, de coisas boas a surgir, de novos desafios e grandes lutas. Tudo com um final feliz e muito sucesso aqui para estas bandas.
Verdade seja dita, se não formos nós o motor de arranque para uma mudança positiva nas nossas vidas, muito dificilmente elas nos cairão aos pés, de mão beijada. Há que procurar, remexer, falar, procurar contactos, estar nos locais certos, na hora certa. Há que arriscar e não temer dar um passo [mesmo que nos pareça maior que as pernas]. Há que ir às apalpadelas, mesmo que sejamos pessoas de chão firme e ter a coragem para dar o salto.
Ainda o mês não terminou e já sinto essa adrenalina, essa força invisível que me está a empurrar para um novo caminho. Um caminho que eu própria desconhecia, mas é do acaso e da surpresa que se fazem as boas [e melhores] mudanças na nossa vida. Hoje dei um salto pequenino, num conjunto de saltos que quero [crossing fingers] que sejam enormes na minha vida. Sei os prós e os contras. Analisámos todas as perspectivas. Sei o que me espera, mesmo sabendo muito pouco o que esperar. Mas mesmo assim, enchi-me de fé e fui.
Agora, é esperar que os dias passem e que me tragam as boas-novas que preciso de ouvir. E que chegue a tal mudança. E que seja bom, que eu tenho fé.

22.1.14

Estou numa relação e é complicado.

Cheguem-se a mim e expliquem-me como se eu fosse muito burra: que raio é isto? Fico sempre muito confusa quando alguém actualiza o seu estado para este tipo de relacionamento. O que é que é complicado? Estar numa relação ou a própria relação? E se é complicado, porque é que se meteram nela?
Pior: se é a pessoa com quem temos a relação que é complicada, porque é que escolhemos essa pessoa?
Também pode ser complicado explicar o porquê dessa relação, eu sei. Também pode ser complicado explicar como é que começaram a relação ou pode ser complicada a existência de uma relação. Mas se é para ser complicado e não ter explicação, porque é que apregoam aos sete ventos que estão enrolados complicadamente com alguém?
Depois dizem que o grande problema das relações é o facto de se tornarem complicadas? Há quem dê um beijinho na cara-metade e vá para o facebook dizer que é complicado já estar comprometido. No fundo, quem complica são sempre as pessoas e não as histórias que elas vivem.
Juro: eu não entendo. E muito raramente me engano. Relação que começa complicada (sobretudo as apregoadas num estado de uma rede social) raramente dura mais que uma semana. Está condenada à nascença.

Podíamos viver sem a voz deste homem? Podíamos. Mas o mundo era um lugar mais chato..

21.1.14

E dizerem-me que eu não consigo fazer o que me proponho? Ah, era bom era.


Watch me, losers!
.. and aplause in the end, please.
Eu não sou só coisas boas. Tento ser o melhor possível, mas sei que tenho uma personalidade forte e que não é fácil [às vezes] conviver comigo.
Por exemplo: sou uma competitiva daquelas mete-nojo. Quando entro numa coisa, entro para ganhar. Nem que seja num jogo de trivial. Aquela história que contamos às crianças que participar é que interessa, é muito bonita. Mas, para mim, é participar e ficar em primeiro lugar, se possível. Eu sei, eu sei. Devia morrer de vergonha e enfiar já a cabeça dentro de um saco. Mas é mais forte que eu.
Sejamos práticas, se podemos brilhar no que quer que seja que entremos, porque é que havemos de ir com a atitude do participante companheiro que é muito amigo-do-seu-amigo?
Eu sou muito amiga, sou. Mas, se é para entrar no jogo, vou com a fé toda.
Mais: só trago para casa aquilo que é meu. Eu explico. Tiram-me a paciência, são mal-educados, inconvenientes ou querem saber mais da minha vida do que eu própria? Não esperem que eu fique calada. Por norma não sou mal-educada com ninguém, mas não fico com nada por dizer. Tenho esta mania de que as coisas que nos ficam entaladas na garganta, consomem-nos. Algumas vezes fiquei assim e vim para casa a morder-me toda, arrependida de não ter respondido à letra. Não há necessidade nenhuma de nos sentirmos assim.
Teimosa. Muito teimosa, na graça do senhor. E quando sei que estou na posse da razão absoluta e inquestionavel, o melhor mesmo é nem discutir comigo. Defendo a minha posição até à morte.
Se é mau ser-se assim? Tem os seus dias, tem os seus prós e os seus contras. Ao mesmo tempo que posso parecer uma pessoa com o seu quê de arrogante e fria, as pessoas pensam duas vezes antes de tentar fazer farinha comigo.
Por outro lado, quando gosto de alguém, dou o que tenho vestido, tiro da minha boca para dar de comer, vou até ao fim do mundo. Quando eu gosto, eu gosto. E gosto do bom e do mau da pessoa. Posso até ter as minhas desavenças. mas se eu gostar de alguém vou aceitar os defeitos e as qualidades e tiro o melhor partido delas.
Não somos perfeitos, todos temos arestas. E, no fundo, é isso que nos torna únicos e especiais; chama-se a isso ser humano.

20.1.14

O Chocolate do Costa

Hoje de manhã estava um frio de rachar. Dentro do aeroporto parecia que estavamos numa arca frigorifica. Nunca entendi bem qual é a teoria dos senhores que controlam a temperatura do ar condicionado. Podia ter-me ido encharcar em café, mas preferi uma coisa mais calórica.
Pessoas: uma coisa vos garanto, uma pessoa não é nada até enfiar as papilas gustativas numa caneca de chocolate quente do Costa. É toda uma explosão de sensações, quase um orgasmo. Quente, forte, com bastante chantilly por cima.
É isto. Ficamos logo a ver o dia de outra forma.


Vim para aqui com 17 anos. Lembro-me perfeitamente daquele dia. Era um sábado, fazia calor. Fiz a mala, arrumei cd's, livros e meia-dúzia de fotografias na mochila. Despedi-me dos meus, de alguns amigos e vim a chorar pelo caminho. Tinha um nó na garganta. Vinha para 60km longe de casa, mas parecia que ia para a China. Durante semanas senti sempre o mesmo. Quando aqui cheguei, estranhei tudo. O espaço, os cheiros, os barulhos, a rua. O frio parecia mais frio, o calor mais estranho, os dias pareciam ter um compasso diferente, a comida não sabia ao mesmo. Depois, os dias foram passando; as semanas, os meses, os amigos que vamos fazendo, os lugares que vamos conhecendo, até o falar que vamos apanhando. Tudo começou a fazer mais parte de mim. Até que me entranhei neste espaço.
Este fim de semana, fui visitar a minha mãe. Fui à terra onde vivi durante 17 anos e já nada daquilo me pertence. Estranho as ruas, as pessoas, o cheiro. Fiquei alguns minutos a contemplar uma das casas onde cresci. Do lado de fora, parece tudo igual, mas por dentro deve estar tudo diferente. Senti-lhe o cheiro, o tempo, lembrei-me do toque nas paredes e no chão de pedra. Revivi um passado que me é querido, tive saudades. Mas, ao mesmo tempo, senti-me tão distante daquele espaço, como se muitas vidas já se tivessem passado entre nós. Já não reconheço os lugares, já não me identifico nos espaços. Está tudo tão mudado, tão diferente. No fundo, sinto uma certa nostalgia. E embora saiba que é do progresso que se vai construindo o futuro, aquela terra seria o lugar onde pararia o relógio, para voltar ao meu passado sempre que quisesse.
Recordo aquele sábado de Outubro, fazia calor e pouco mais que memórias trouxe comigo. Hoje, tenho as que lá deixei e as de toda uma vida que vivi aqui. Aqui. O lugar que já é meu.

15.1.14

Eu gosto muito, gosto muito.

13.1.14

Para começar bem a semana


Ontem fomos passear pela natureza. Temos a sorte de morar a dois passos de uma das grandes maravilhas algarvias, a ria formosa. A pequena parecia uma pequena pulga, aos saltos, a correr pelos trilhos, a espreitar covas, a pisar os campos de trevos, a espantar os pássaros. O ar da ria, do bosque, o ar puro que ali se respira deram-lhe cores à face. E deu-lhe a alegria de ver os bichos, como ela tanto gosta.
Foi uma bela maneira de acabar o domingo e preparar mais uma semana de luta.