22.11.13

Há pessoas erradas nos lugares errados. É um facto. Até podem ser muito boas pessoas, mas estão para aqueles lugares como o azeite para a agua. Não ligam, não fazem sentido, turvam tudo, não adianta. Invariavelmente, essas pessoas não são escolhidas ao acaso. Estão ali, naquele lugar, àquela hora, com aquela função porque alguém ou alguma coisa os pôs lá. Seja por interesse, por intenção, por favores, pelo que seja. Mas quase nunca pelo mérito ou pela capacidade de exercer essa função.
Estou a falar de cargos, de postos, de pessoas nas suas funções profissionais e penso que já se aperceberam disso.
Quando uma pessoa não tem confiança suficiente em si e nas suas capacidades está constantemente a dar tiros nos seus próprios pés. Ou porque falha e não admite, ou porque não sabe como fazer, ou porque -simplesmente- não está capacitado ou vocacionado para exercer a sua função. Invariavelmente, esses erros, sucedem-se em catadupa, escancaram-se na testa e quem assiste, de fora, fica com a sensação de que essa pessoa está aos papéis. Inequivocamente, no lugar errado. Isto torna-se grave se quem assiste é um mero colaborador, que ao ter noção desta realidade vê a sua motivação ser deitada ao lixo num instante.

As grandes empresas de hoje, as que vingam e que produzem serviços de topo, possuem mecanismos de recrutamento excepcionais. Querem quem faz bem, quem sabe, quem é apaixonado pelo que faz. Proporcionam um ambiente de trabalho equilibrado, multi-cultural, dinâmico, comunicativo. A imagem do chefe ditador é repudiada. As metodologias de repressão e egocentrismo estão, há muito, postas de parte. Não funcionam, não fazem uma empresa crescer, não motivam os seus colaboradores. Por isso, grandes empresas, que apostam nas pessoas certas para os lugares certos, somam conquistas diariamente, crescem, enriquecem, proporcionam-nos serviços de qualidade. E não basta ter só uma grande ideia, é preciso a pessoa certa para a pôr em prática.
Espanta-me que a grande maioria das grandes empresas ainda não tenha aprendido esta lição. Por muito grande que uma organização seja, é sempre possível adaptar estes modelos que traduzem inovação, futuro, reconhecimento por quem veste a camisola. Muitas vezes, no nosso dia-a-dia, deparamos-nos com profissionais de mentalidade retrógrada, insolentes, arrogantes, petulantes; com chefias ditadoras, que tomam atitudes soberanas, discriminadoras. Na maior parte dessas vezes, os erros mais crassos partem dessas pessoas, da atitude dessas pessoas, da forma como lidam, gerem, lideram as suas equipas. Contra toda uma cultura de motivação e liderança positiva que deveria ser implementada e que, as empresas a sério, já o fazem há muito.

As pessoas erradas nos lugares errados vão continuar a proliferar, bem sei. Enquanto uma revolta de mentalidade não se operar no seio das pessoas que gerem as empresas, o caminho será sempre o mais patético: o de que só os lucros interessam. A burrice e a tacanhice de algumas mentes ainda não os deixou ver o que a abertura de espírito e de ideias já fez por empresas a sério: os lucros interessam, mas se quem os produz estiver motivado, esses lucros serão dez vezes maiores. É uma questão de crescimento e evolução. Tanto de postura como de mentalidade.

1 comentário:

pmaionese disse...

Concordo plenamente contigo, e não é preciso ser uma empresa grande...nas mais pequenas também há disso...