24.1.15

O peso do tempo

Cinco meses se passaram. Cinco. Passou o fim do verão, o regresso às aulas, o natal e o fim de ano. Começou um ano novo, um novo ciclo. 2015 promete ser em grande. Aqui, o pó assentou. Não se escreveu, não se sentiu, não se mostrou a alma. As palavras não saíram e o eco do silêncio foi-se perdendo com os dias.
 
Eu nunca sei bem porque razão vou e volto. Porque tenho esta mania de abandonar as palavras por uns tempos. Não sei se esta coisa da escrita tem ciclos. Apenas me afasto e espero que a vontade volte.
 
Nestes cinco meses fiz anos. 36. E deu-se-me uma espécie de pânico nostalgia por sentir o tempo a escorrer pelos dedos. Estou a dois pares de anos dos quarenta. Os quarenta são os novos trinta, não são? E ainda no outro dia me davam 30 anos, mais coisa menos coisa. Dizem que estou bem conservada, que me cuido. Eu suspiro e encolho os ombros. Não, não me cuido tanto como deveria. Tenho sorte de ter uma pele minha amiga e tenho cara de moça pequena. Já não é mau. É meio caminho andado para não me dar uma crise de meia-idade. Contudo, nada disto me passa ao lado ou me é indiferente. Tenho ainda tanta coisa por fazer, tanto sonho por cumprir, tanta cidade para conhecer..
 
O tempo pesa - e de que maneira! - quando sabemos que daqui para a frente todos os passos devem ser cuidadosamente estudados e calculados. Lá atrás vão os vinte anos, o tempo de viver por impulso, de deixarmos a nossa vida à sorte. O nosso futuro é já amanhã. E o tempo diz-me que tenho de me despachar a viver, sob pena de já ter tido todo o tempo do mundo e nada ter feito por mim.

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