6.11.13

(nem sei que título dar a isto)

Tens muita graça, tens. Sabes que se passaram sete anos? Sete! Não foram semanas ou meses. Foram anos. Sete! Com que ligeireza pensas tu que agora vens, ai e tal se calhar até podemos pôr uma pedra no assunto, assim de mansinho vais-te infiltrando novamente, como se nada fosse, como se não me tivesses deixado a vida de pernas para o ar. Tens muita graça, tens..
Então e diz-me lá, óh engraçado, como é que eu explico a uma criança de sete anos (sete, sim, esses mesmos que já se passaram), que de repente, em vez de um avô tem dois. E que afinal, tu não estavas numa viagem, que afinal existes e que (agora!) queres muito conhecê-la. Como explico isto, não me explicas tu? Se calhar, o melhor mesmo é pô-la frente a frente contigo e deixar-me ver-te sofrer com as perguntas caústicas e certeiras que uma criança de sete anos pode fazer. E ver como descalças a bota.
Tens muita graça, tens.. agora já tens até coragem para bater à minha porta, se eu te mandar vir? Já tens um número de telefone se eu quiser ligar? Agora já sou a melhor de todas se te quiser de volta? Tu só podes estar a gozar comigo. Ou isso ou és completamente bipolar, doente psiquiátrico com urgência em tratamento, porque eu juro que não entendo.

Sempre ouvi dizer que "o fraco nunca pode perdoar. O perdão é um atributo dos fortes" e tento encontrar em mim a força que preciso para te perdoar. Sei que a tenho, porque o sangue (esse filho-da-mãe) fala muitas vezes mais alto. E as saudades (essas desgraçadas) apertam, apertam forte. Mas, para te perdoar é necessária mais que força. Faz-me falta a coragem e a capacidade de esquecer. Porque enquanto as lembranças doerem, vou sempre achar que não te perdoou, mesmo já te tendo perdoado.

Por isso, Deus me ajude. Queres voltar a tentar, queres conhecê-los, queres voltar a fazer parte das nossas vidas.. dá-me tempo. Dá-me espaço. Deixa-me pensar e recolher a força que necessito para esquecer que um dia disséste que não era tua filha. E quando um dia conseguir perdoar isto, vem com a graça toda que quiseres. Mas, por enquanto, por favor, não abuses. Estes sete anos, para mim, foram uma tortura séria demais para agora serem tratados com tamanha descontração.

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