Avançar para o conteúdo principal

Cuidar e amar.

Esta dicotomia nestes dois conceitos que se querem juntos. Se amamos uma pessoa, cuidamos dela. Em todos os sentidos. Não se dissociam, não podem. Senão, não seria amor. Era mais uma espécie de trabalho, de voluntariado ou de vocação. Mas até para isso temos de colocar amor no que fazemos, ou corremos o risco de fazer uma grande borrada.
Dou por mim, às vezes, a pensar no futuro. Imagino esta casa com outras mobílias, com outros gostos e outros cheiros. Imagino o meu marido mais velho e os meus filhos nas suas vidas. E pergunto-me se serei capaz de cuidar. Sim, cuidar de uma pessoa velha e doente. Eu que tremo cada vez que os miudos espirram, mas que tenho o sangue frio e a calma de limpar vómitos com toalhas. Eu que choro e tenho mini ataques cardíacos, quando o pequeno se engasga, mas que sou capaz de dormir uma semana encolhida no sofá, para lhe velar o sono.
Assusta-me a total dependência dos chamados cuidados paliativos. Daquela altura na vida em que dependemos da boa vontade do próximo. Do quão insignificantes somos perante uma doença que nos prende à cama.
E é precisamente isto uma das coisas que me assustam, quando penso no futuro. Serei capaz de cuidar? Serei capaz de dedicar o meu tempo, o meu amor, a minha atenção? Melhor: terei forças para isso? Para olhar para um ser que amo, vê-lo debilitado e dependente e ser forte o suficiente para dar-lhe a dignidade que merece?
Acho que por amar tanto, se for eu a dependente e se tiver na posse das minhas faculdades de percepção e decisão, escolho o cuidado profissional. Ou então, estou a dizer um disparate tão grande, que mais valia estar calada.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Well..

.. ao que parece, está tudo benzinho com o pequeno. A mãe tem uma infecção urinária assintomática e já está a antibiótico e o pequeno parece estar feliz da vida. O líquido que verti pode bem ter sido xixi, porque com as infecções é normal acontecer.. digamos que com a gravidez também, porque o peso pressiona a bexiga. Mas, de qualquer das formas, ela mandou vigiar o assunto. Por isso, aqui estamos. Um dia de cada vez.. e espero que esta gravidez chegue ao fim sem nenhum problema de maior.. e que logo, logo o Manuel esteja nos meus braços saudável e perfeito.

isto faz o meu estilo #4

Achei que o corte de cabelo da Letizia merecia o meu regresso..

  Se isto não é um exemplo de modernidade, não sei o que lhe chamar. A rapariga não é só a rainha de Espanha, é uma mulher moderna. E como mulher moderna que se preze, cuida da sua imagem. E só por esse gesto de corte com o tradicional e o correcto, só posso aplaudir a atitude. Já não posso dizer o mesmo da magreza. Num momento em que se apela ao fim da magreza extrema como sinónimo de beleza, num momento em que se defende um corpo saudável, ela aparece com as costas a descoberto.. e não consigo pensar em nada de positivo nesta imagem.