30.5.12

Castigar com rezar o terço.

Aquilo que eu vou contar não me foi dito por terceiros. Eu estava lá e ouvi. E, sinceramente, não gostei. Antes de mais, quero partilhar aqui que sou cristã. Acredito em Deus, em Jesus Cristo, tenho a minha fé, vivo-a e educo a minha filha dentro dos valores cristãos. Mas nunca na vida fui intolerante. Respeito todos os que vivem à minha volta, todas as suas crenças e religiões. Nunca me afastei de alguém por professar uma fé diferente da minha, muito pelo contrário. E também nunca fiz da minha religião um campo de batalha: sou tolerante, de paz.
O que na realidade me chocou foi o seguinte: estávamos nós a assistir a um show no safari e connosco outras pessoas, maioritariamente miúdos, de dez, doze anos, em visita de estudo. Como alguns estavam mais eufóricos, uma das professoras diz-lhes: «Vejam lá se querem ir rezar o terço.».. Ao que mais dois professores anuem com a ameaça e repetem a graça.. se não se portarem bem, vão para um canto rezar o terço. Mas afinal de contas, o que é isto? Castigamos ou tentamos manter as crianças sossegadas sob a ameaça de irem rezar? Foi algum tipo de brincadeira? É porque se foi, não estou a perceber onde está a graça.. o que passará na cabeça de uma criança que, seja educada em casa sob os valores cristãos e que, na escola, ouve este tipo de coisas? É correcto, por parte de um educador, 'brincar' assim com a educação religiosa de cada criança? 
Eu quero acreditar que tudo não passou de uma brincadeira de mau-gosto, e que não é hábito naquela escola, fazerem este tipo de 'coisas'. Mas que me deixa apreensiva, deixa. Ouvimos tantas coisas do meio escolar na comunicação social e lutamos para que o professor ganhe de novo o estatuto de outros tempos, porque é imperativo que as nossas crianças tenham respeito por quem as educa. E depois, ouvimos estas coisas. E claro, começo a colocar muita coisa em causa.
Uma coisa é certa, se a minha filha se porta mal, eu não a ameaço com ir recitar o Alcorão, por exemplo. Tenho (acho eu) outras formas mais pedagógicas. E menos discriminatórias.

1 comentário:

Papoila disse...

Pois, também não entendo?! De pedagogia não me parece que tenha muito..

No meu tempo era "se não te portas bem fazes a tabuada dos 9 vinte vezes"... isso sim era educativo:)

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