10.3.10

«História de um sonho» àqueles que partiram da minha vida.

Se ainda cá estivesses, hoje seria o teu aniversário. Não sei ao certo quantos anos. Seria mais um. Só mais um entre nós.
Sabes que não vou a cemitérios. Nunca gostei de últimas moradas. A tua última morada é aqui, bem dentro de mim. No meu coração e no meu pensamento. E só isso, já me chega para chorar em silêncio a tua ausência. Por tudo aquilo que te faltou presenciar na minha vida, por tudo aquilo que perdi com a tua partida.
Março era o mês de três pilares na minha vida. Três exemplos que eu seguia. Três pares de mãos que me ampararam, três colos que me embalaram, três corações que me amaram.
Sei que nunca vos agradeci o suficiente pelo que fizeram por mim. Fui ingénua demais ao acreditar que estariam aqui muito mais tempo. As partidas inesperadas são as que mais doem. E as que mais saudades deixam.
Não vou a cemitérios. Não gosto de chorar um lugar oco de sentimentos ou memórias, onde simplesmente jaz o resto de um corpo que já foi o teu. Porque somos muito mais que um corpo. Somos aquilo que fizemos enquanto vivemos. E é disso que sinto mais falta de ti. É, de tudo aquilo que foste, que sinto mais saudade.
E, embora a hora de despedida tenha chegado cedo, sinto-me abençoada por ter feito parte da vossa vida.
Agora só vos vejo nos meus sonhos e só vos mantenho vivos nas minhas memórias, até que um dia possa reencontrar-vos de novo. Enquanto isso não acontece, sei que continuarão a olhar por mim aí de cima. Aí, no céu, para onde todos os anjos da terra regressam quando chega a hora.


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