16.10.08

Ao fundo das coisas

Quando é que vamos até ao fundo das coisas? Chegamos? Não chegamos?

Quando nos pomos a pensar no verdadeiro sentido que algumas coisas têm para nós, pensamos tanto, vasculhamos tanto, deitamos tanto fumo pelas orelhas que pensamos que chegámos ao busílis da questão!
E eu, pensando no fundo das coisas, pensei que no fundo nunca chegamos a lado nenhum!
Fundo... o mar, um buraco, o fundo do copo e da garrafa, o fundo da rua, o fundo do tacho, o fundo do bolso, o fundo do poço, o fundo do saco e o fundo da carteira, o fundo da fossa, o fundo monetário, o fundo da piscina, o fundo do rio, o fundo da sala, o fundo da gaveta, o fundo da pista, o fundo da boca, o fundo do palco, o fundo da terra, o fundo da linha, o fundo do prato, do fundo da alma, o fundo da mala, o fundo da casa, o fundo do sofá, o fundo da gruta, o fundo da questão, no fundo do mato, do fundo do coração, a fundo, sem fundo, no fundo...
Vivemos rodeados de fundos profundos e outros que nem por isso. A uns chegamos e a outros ficamos pelo caminho. Foi por isso que a vida os fez profundos, esses fundos.. E quando tentamos chegar lá a todo o custo, quando damos de nós o sobrenatural que não temos, reparamos o quão profundos são e quanto nos custou chegar ali. Talvez por isso sejam tão importantes para nós e tão compensadores para quem os atinge.
Para um bêbado não é díficil chegar ao fundo do copo. Que recompensa lhe dá? Uma bebedeira..
Para alguém que tem fome, alcançar o fundo do prato é uma bênção!
Ao fundo da pista está o atleta que ganhou a corrida...
No fundo, profundo ou não que seja o fundo, é do fundo do coração que sempre tentamos ir ao fundo das coisas. Uns só dão um passo para o fundo, outros dão o fundo da alma!

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