4.1.08

Viva!

Data: 02 Janeiro 2008
Hora: pelas 16h - mais coisa, menos coisa
Local: Centro de Saúde de Vila Real de Santo António

Entre um autêntico aglomerado de 'ovelhas', que era precisamente o que parecíamos, as pessoas, empurravam e tentavam fazer uma fila (à batota), para ver quem chega primeiro ao gabinete das auxiliares dos médicos. O gabinete fica num recanto de um corredor. Mal cabem 10 pessoas de pé, quanto mais mais de 50, que foram as que consegui contar. Elas (apenas duas), entram e saem do gabinete, são atropeladas com perguntas e reclamações, entram nos consultórios, saem dos consultórios, levam e trazem papéis, vá lá entre lá agora, quem é a senhora fulana, onde está a senhora beltrana, o número 87 se faz favor, a doutora já não atende mais, pró doutor só sexta-feira.. e por aí fora.
Eu já estava à espera há quase 2 horas. O meu assunto era simples. Sabia que tinha que esperar, mas não precisava de estar no meio da confusão a reclamar por atenção. Então, só me restava apreciar o cenário. Eis senão que, de todas as criaturas ali presentes, tinha que ser a sra administrativa a surpreender-me.
Ia fazer a chamada para o médico que acabara de chegar. E anunciou isso bem alto. Naquele recanto fez-se silêncio. Todos a olhavam. E começou:
- Sr António Castro Sousa.
(silêncio)
- Sr António Castro Sousa! Não está? Sr António Sousa...? Não?
(silêncio)
- Bom.. então, Sr José Manuel Brito.
(silêncio)
- Sr José Manuel Brito!
(silêncio)
- Também não está?
(Todos olham uns para os outros, ninguém se acusa e faz-se silêncio)
- Então estes senhores marcam consulta e não aparecem? Porque?
(Gargalhada geral)
- Ó minha senhora, telefone aos senhores e pergunte.. vá lá a despachar isto!
A senhora bem tentou, coitada, mas metia os pés pelas mãos, muito embaraçada, cheia de complicações, têm de desimpedir o caminho do corredor ( e vamos para onde?).. mas não conseguiu. As pessoas atropelavam-se para ser as primeiras nas consultas à vaga, para carimbar receitas, para pedir medicamentos, para marcar consultas.. um autêntico quadro de Picasso. Já o corpo médico não fica atrás.. uma das médicas de serviço, vem à porta chamar as pessoas. No meio de tanto alvoroço ela nem se dá ao trabalho de falar um pouco mais alto. Ela miou o nome das pessoas (que por sinal se encontravam sentadas no outro lado da sala!) e como as duas primeiras pessoas que ela chamou não a ouviram, apanhou no seu belo corpinho e ala que se faz tarde! Como devem imaginar, assim que se deu por isso, caíu o Carmo e a Trindade.
Viva o sistema de saúde que temos. Viva estas administrativas super-competentes. Viva este pessoal médico que nasceu pra isto, tem amor à medicina e que cumpre com a conduta moral e ética da profissão. Viva, viva, viva... mas viva saudável, que se adoecer está feito!

1 comentário:

fj disse...

infelizmente é assim :((
o mal é de quem necessita mesmo de recorrer a estes centros.
beijose bom fds