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A casa está silenciosa. Ao longe o barulho de fundo da tv, com um som do Prince a tocar. Aqui perto, o som das teclas que vão preenchendo este silêncio. Os meus amores partiram para norte. Eu fiquei no sul. O amor-pai vai para as ilhas. Os amores-filhos ficam com os avós. Eu? Fico a trabalhar e a ouvir este silêncio que [já] não pertence a esta casa, que [já] não faz parte dos meus dias, da minha vida.
E embora a minha rotina seja cansativa, ao ponto de ao fim do dia eu querer é ver todos pelas costas e dormir como se não houvesse amanhã, não a troco por nenhuma calma e tranquilidade. Os barulhos e o bagunça, o trabalho que dá esta casa, o cansaço que me pesa no corpo cuidar desta família, fazem de mim um mulher realizada e feliz.
Sei que são poucos os dias que nos separam, que enquanto o outro esfrega o olho, o tempo passa e estaremos todos juntos de novo. Nesse dia, no meio da confusão que é esta casa, eu descansarei e saborearei melhor o silêncio que uma barulheira feliz pode fazer. O barulho de um lar que se ama.






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