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7 am.

Não. Não  foi a hora a que regressei da noite, nem tão pouco a hora a que me levantei para ir correr o sprint matinal (no dia em que a minha preguiça me deixar cometer uma loucura dessas, mando rezar uma missa). Não foi a hora a que me pus a caminho do calvário  trabalho, até porque hoje para mim é domingo, nem tão pouco foi a hora a que me deitei. Foi sim, a hora em que o teu despertador tocou, em que nos aninhámos debaixo do lençol (calma, isto não vai ser um post erótico!), em que nos mimámos no meio do sono, suspirando por mais uns bons minutos de calma e descontracção. Depois, sim, acordamos para a vida. Há o duche, a tua barba por fazer, a menina que dorme o seu sono de beleza e nem um comboio a acorda, os pequenos-almoços e o corre-corre para a escola. E depois de tudo isto, já são quase nove da manhã e vem o tempo para mim. Gosto disto. Do que temos.

porque tenho o cérebro um pouco adormecido.

A trabalhar durante a noite há 4 dias, estou com o ar que uma desenterrada deve ter. Amarro o cabelo num rabo-de-cavalo, escondo-me atrás dos óculos escuros, emborco uma chavena enorme de café pela goela e desafio o mundo às três da tarde. Meto-me no carro e vou em piloto automático até à porta da escola da pequena. O mundo dela está quase desfeito com falta de energia, que a gastou toda em correrias, jogos e saltos no recreio. O meu mundo acabou de acordar. É isto. Ser uma mãe moderna, que trabalha por turnos e mal dorme. Não me queixo, esta foi a vida que escolhi. E estou feliz por ela ser assim. Haja saúde, haja alegria! ( e música !)

Amuos conjugais.

 - Olha lá.. a viagem fica tão barata. E o Hotel? 4 estrelas, com Spa, cinco noites, baratíssimo. (ele ainda se levantou para vir espreitar o que eu lhe estava a relatar entusiasmada)  - hum-hum...  - Óh amor! Pronto. Vamos a Malta!  - Calma lá, que eu não sei se podemos tomar já essa decisão.  - Pronto. Já tou mesmo a ver que não vou ter férias.

obrigada, meu amor..

                                   Anna : Can I stay for a while? William : You can stay forever. (Notting Hill)

O maravilhoso mundo da maternidade.. repete-se.

Primeiro há o desejo. Depois namora-se muito. De preferência nos dias certos. Depois começam a nascer as dúvidas e as incertezas. Vem a ansiedade. E fica connosco durante alguns dias. Depois faz-se um xixi para um pauzinho e espera-se. Para umas, o resultado prevê que se tente de novo, que ainda não foi desta. Para outras há jackpot. Aqui em casa, o cenário foi parecido, quase igual (atrevo-me a dizer). E o resultado? Bem.. o resultado foi: O maravilhoso mundo da maternidade volta a repetir-se aqui em casa. Estamos felizes. Na esperança de que tudo corra bem.

It's monday, but.. it's ok!

Levanta-te da cama, Rita. Anda.. Tens de ir ali ver se está tudo ok com o fato do P. Se ele faz o nó da gravata bonito. Se não se esquece de nada na pasta do portátil. Levanta-te da cama, Rita. Despacha-te.. que ele não sabe onde deixou os sapatos pretos, provavelmente vai querer que lhe digas se o cabelo não está espetado lá atrás e vai querer roubar um pouco do café da tua caneca. Levanta-te da cama, Rita. Que ainda tens de ir ali fazer chichi para um pauzinho, que te dirá se estás de esperanças ou não, embora ainda seja muito cedo fazê-lo, mas vocês os dois não têm juízo e gostam de gastar dinheiro em Predictors e Clearblues como se não houvesse amanhã. [levantei-me, ajudei-o a preparar as coisas, disse-lhe que estava muito bonito, encontrei-lhe os sapatos, fiz o chichi e esperei 5 minutos, deu negativo, fiquei assim para o deprimida, mas depois lembrei-me que mais pareço uma atrasada a fazer testes mais cedo do que o normal, portanto, prevê-se outra manha como esta dentro de dias...

Maneiras que é isto.

Os juros a subir. O petróleo a aumentar de preço. Os impostos a disparar. Os preços lá nas alturas. O mundo completamente desvairado. A nossa vidinha a sentir o apertão do cinto. E mesmo assim, estas duas cabeças (entendam Mrs e Mr T., nós próprios), pensam em aumentar a familia. Ora digam lá, se fossem nossos pais não nos mandavam internar? 

só tenho dez palavras pra te dizer..

Para sempre.

Que passem os segundos, os minutos, as horas, os dias.. mas que esta paixão não passe nunca. Que passem lá fora as pessoas, os carros, que a vida continue, mas que este calorzinho bom não vá embora nunca. Que o céu mude de cor, que as estrelas adormeçam e acordem, que o sol e a lua brinquem às escondidas, enquanto o nosso amor cresce cada vez mais. Que os animais e as plantas cresçam e pulem e cantem e vivam livremente, que enquanto eu te tiver preso no meu abraço, nada me distrai. Que o silencio seja de ouro e as gargalhadas de prata, que o teu riso seja a fonte onde vou beber todos os dias, que o teu respirar me embale e que a tua boca me beije.. que as tuas mãos me protejam sempre, que o teu corpo seja o meu porto-de-abrigo e que esta loucura não passe nunca.. que este desejo de te ter, de te amar, de te procurar não finde nunca. Que este amor nunca acabe. Porque prometemos que seria para sempre.

boa noite, meu amor

amanhã vamos acordar assim, enrolados um no outro, no quente dos nossos lençóis e do nosso edredon IKEA. Amanhã vamos acordar assim, sentindo o respirar pausado e o bater tranquilo dos nossos corações. E pouco vou dizer e nem sequer te deixo falar, porque acabados de acordar, parece que alguma coisa morreu durante a noite nas nossas bocas, e até a sensodine espumar por entre os lábios, vamos sussurrar coisas a uma distância de segurança. Amanhã vamos acordar assim, até que o sol entre de rompante no nosso quarto e ilumine as paredes, sem despertador, sem pressas. Amanhã vamos acordar assim, apaixonados, mais que nunca, e vais fazer-me festas no cabelo e vou esperar deitada que me tragas o pequeno-almoço à cama.. e eu sei que não o vais fazer, mas também não me importo nada, porque o romantismo da cena nada tem a ver com as habilidades culinárias que não possuis. Mas foi por isso que me casei contigo. Porque amar-te significa que também tenho de te mimar. E dizem por aí que é pelo estôm...

eu já ganhei uma herdade lá em cima..

O meu marido é um querido. Não contente com o facto de ter de trabalhar 12 horas por dia, de vez em quando, tem a hábil tendência para inventar. Desta vez, devido às exigências profissionais, lá foi meter-se num curso de formadores. Isto, claro, porque a familia é para isso mesmo, com a promessa de ajuda nos bons e nos maus momentos. Então, ele é exercícios, ele é trabalhos, ele é sessões síncronas e aulas pós-laborais. E nós alinhamos. Que remédio. O que me leva a pensar que era chumbo na certa, se por mero acaso, aqui a je, não fosse tão boa esposa. Ora, quando se tem um dia, que eu vou acreditar que lá naquela escola de formação são mesmo muito maus para as pessoas , para fazer um manual de um qualquer tema à escolha, com mais de 347 critérios para obedecer e com mais de 15 páginas, e entregar com toda a pompa e circunstância, para quem é que sobra? Ora. Nem mais. Eu sempre fui a criativa cá de casa.

O meu vizinho do lado.

O meu vizinho do lado tem para mais de 80 anos. É surdo e fala alto. Anda devagar, mas está por todo o lado. É bisbilhoteiro, viúvo e do FCP. Desliga o gás dos outros quando não os sente em casa. Dá conta de tudo o que acontece no prédio, na praceta e no raio de 2km. Ouve Amália aos altos berros e cá em minha casa ouvimos perfeitamente os relatos dos jogos da Sport tv. Faz tudo, repara em tudo e dá palpites. Quando nos mudámos para cá, pedimos a instalação da (agora) Zon, esperou que os técnicos saíssem para ir desmontar a caixa dos cabos e verificar se tinham deixado tudo em condições. E a caixa nem é dele. Quando faltou a luz na rua por causa de mau tempo, uma das lâmpadas do candeeiro da praceta fundiu-se. Bateu-me à porta a reclamar, porque raio não tínhamos ainda ligado para a EDP, se não nos incomodava que a lâmpada não funcionasse. Quando o vizinho do 3º andar andou em obras e deixou o elevador sujo, deu-me um raspanete, porque nenhum de nós tinha limpo o chão. Pinta pedacinhos ...

Já pode chover a cântaros..

.. que mesmo assim, os meus dias brilham. O meu pequeno grande sol voltou. Doce como sempre. Para me encher de mimos e amor. Para fazer de mim uma autêntica coração mole. Tem e sempre terá esse efeito em mim: aquecer-me os dias e derreter-me o coração. :)

Hoje

Dia normal este. De pequenas coisas se faz um todo, mas a normalidade toma conta da nossa rotina. O sol brilhou, fez calor. As andorinhas voltaram à praceta. Com elas a promessa da primavera. E que saudades tínhamos já dela. Mais que não seja para poder sentir prazer em tomar um café, descansada e confortável, na esplanada. Contigo. E ler o jornal. E rirmos dos pelos nas pernas da Irina. E alegrar-nos por afinal o concerto dos Iron Maden ser um tributo ao Manu. E rirmos. De alegria. E as andorinhas, de volta à praceta. - Se elas forem contra o carro e fizerem uma mossa, vou pedir contas a quem?!? - Ao São Pedro. E rirmos.