30.1.15

Os Homens têm é Medo.

Aquilo que mais me lixa, enquanto mulher, é que me subestimem. Em todos os sentidos. Mas, se na nossa esfera familiar ou social, facilmente conseguimos inverter a situação, no meio profissional a cantiga já é outra.
Faço o mesmo, ou talvez melhor, que muitos dos homens que estão acima de mim. No entanto, enquanto mulher não sou valorizada. E digo enquanto mulher porque, a minha avaliação de desempenho profissional é claramente superior à de homens colegas que são promovidos ou ocupam lugares de chefia. Logo, a descriminação só pode ser sexista.
Senti logo esse dedo inquisidor quando engravidei pela primeira vez. Se soubesse o que sei hoje, outro fado tinha sido cantado. Infelizmente, a ingenuidade e a falta de calo não me deixaram fazer o que seria o correcto. Hoje, arrependo-me.
A verdade é esta: em pleno seculo vinte e um, a mulher ainda é vista como uma submissa, como um apêndice ou como uma profissional de segunda. Vergonhoso, não é?
Analisando bem os números, a frio, é uma autêntica falta de respeito, injustiça e irregularidade que não se promovam as mulheres com a mesma facilidade com que se promovem os homens.
Estaremos perante um caso de machismo? Desculpem-me lá, mas já não acredito nessa. A ideia de que não se pode promover uma mulher porque ela não é capaz o suficiente já não cola. Já não é a essa cartilha que os homens-chefes se agarram. O grande problema tem nome: chama-se medo.
Medo da competência, medo da concorrência, medo da nossa capacidade; medo de serem ultrapassados, medo de serem envergonhados, medo de serem postos de lado. O grande, único e verdadeiro problema é que os homens têm medo das mulheres.
E é esse preconceito, essa pequenez de espirito e pensamento que leva a que tantas mulheres sejam preteridas em favor dos seus colegas masculinos, aquando de novas promoções ou mudanças de funções. Invariavelmente, quando sujeitas a este tipo de descriminações, a tendência é que a produtividade baixe e a motivação vá pelo cano. Não é fácil saber que o nosso trabalho não é reconhecido, mas que os homens-colegas têm mais hipóteses de serem considerados mesmo que sejam autênticas nódoas enquanto profissionais.
Obviamente, esta regra não pode ser aplicada de um modo geral. Nem todas as empresas funcionam assim. Nem todos os homens são piores profissionais que as mulheres, nem todas as mulheres são descriminadas. Mas este panorama é mais frequente do que pontual.
Pontuais são os casos em que todo o processo se desenrola com igualdade de oportunidades. O que, vistas bem as coisas, é ainda mais vergonhoso. Situações destas deveriam ser normais, naturais, nos dias que correm. Mas são assim uma espécie de utopia, que acontecem em empresas-modelo, nas quais todos sonhamos trabalhar. Empresas que zelam pelo bem-estar dos seus funcionários, que valorizam o seu trabalho e dedicação, que exigem mas que recompensam. Pois. Empresas em que acontecem esses casos pontuais, em que a mulher é tanto como o homem.
Há cerca de duas semanas, voltaram a subestimar todo o sexo feminino na minha empresa. Voltaram a preferir um homem, sem que eu consiga ainda perceber quais os critérios. Voltaram a subestimar todo o meu trabalho e o meu empenho enquanto profissional. Não porque eu quisesse o lugar dele, apenas porque não me deram a oportunidade de poder concorrer. O que é diferente. E se isto, só assim à partida, não é descriminação, então não sei o que será.
Voltaram a rotular-me [a mim e a todas as mulheres que trabalham comigo] de profissional de segunda. E não estou a lidar bem com isso. Já vai sendo hora de acabar com estas coisas. Já vai sendo hora de inverter estas tendências. Já não estamos no século passado.
Todas temos os mesmos direitos. E cabe-nos a nós lutar por eles, porque mais ninguém o fará.

29.1.15

Parentalidade [mesmo muito] Positiva

Cada vez que visito o blog dela, fico com a alma feliz. É uma espécie de consolo. Não sei bem como exprimir, mas anda perto do conforto e da alegria imensa de poder «fazer parte» daquelas histórias contadas através das fotografias.
Não tenho a menor dúvida: aquelas duas crianças, aquela família, todos eles, são imensamente felizes. E ela faz tudo para os educar da melhor maneira. À maneira dela, deles, de uma forma tão deliciosa, tão genuína, com um amor que transborda em cada letra, em cada sorriso que ela fotografa.
Gosto tanto, tanto. Tenho a certeza que a Maria e o Miguel hão-de ser seres humanos fantásticos.
 
E é isto que a blogosfera tem de melhor. Sem os conhecer fisicamente, são um exemplo que gostaria de seguir. Sem saber quem são ou onde estão, tenho carinho por eles. Fico com o coração cheio e com a certeza de que existe [ainda mais] gente boa por aí.
 

28.1.15

10 anos e picos depois..

Hoje reencontrei um ex-colega de curso do marido. Já não o via há mais de dez anos. Senti o peso do tempo, confesso. Pela primeira vez, aconteceu-me aquela sensação de já ter passado tanto tempo e, sem ter dado por isso, o peso desse tempo deixou marcas.
Eu acredito que ele possa ter pensado o mesmo sobre nós, mas vê-lo de cabelo grisalho deixou-me a pensar.. Uma vida se passou nestes entretantos. Formamos família, chegam os filhos, o trabalho deixa-nos mais velhos, a idade vai avançando. Quando é que isto tudo aconteceu e eu nem dei conta?
 
Fico com a certeza de que se organizássemos um jantar daqueles, de ex-colegas, dez anos depois, as surpresas iam acontecer. E eu que me olho ao espelho e continuo a achar que tenho vinte anos?

24.1.15

 
Não me dou bem com o frio. Não suporto. Ando sempre encolhida, tipo velha corcunda, a bater o dente. Não gosto do inverno. Nunca sei bem se a roupa que visto aos miúdos chega para lhes tirar o frio. Se pudesse bania o vento gelado das condições atmosféricas. Ainda hão-de me dizer que falta faz o vento gelado à nossa existência. Não suporto andar gelada: mãos, nariz, bochechas, pés. Odeio.
Não se consegue andar bem em lado nenhum. Andamos sempre a fungar do nariz. Os dias são mais pequenos mas parecem durar eternidades. Comemos mais, logo engordamos mais.
Podia fazer aqui um post todo bonitinho, homenageando a neve, os gorros e os polares quentinhos. Fazia alusões ao romantismo de uma lareira e sonhava com férias num chalé nos Alpes. Seria hipócrita!
Sou algarvia. O meu mundo é feito de sol e calor. Fui criada com os pés dentro de água e com a pele bronzeada. Poupem-me. Estou farta do termómetro marcar menos de 20º. Não fui feita para este frio!

O peso do tempo

Cinco meses se passaram. Cinco. Passou o fim do verão, o regresso às aulas, o natal e o fim de ano. Começou um ano novo, um novo ciclo. 2015 promete ser em grande. Aqui, o pó assentou. Não se escreveu, não se sentiu, não se mostrou a alma. As palavras não saíram e o eco do silêncio foi-se perdendo com os dias.
 
Eu nunca sei bem porque razão vou e volto. Porque tenho esta mania de abandonar as palavras por uns tempos. Não sei se esta coisa da escrita tem ciclos. Apenas me afasto e espero que a vontade volte.
 
Nestes cinco meses fiz anos. 36. E deu-se-me uma espécie de pânico nostalgia por sentir o tempo a escorrer pelos dedos. Estou a dois pares de anos dos quarenta. Os quarenta são os novos trinta, não são? E ainda no outro dia me davam 30 anos, mais coisa menos coisa. Dizem que estou bem conservada, que me cuido. Eu suspiro e encolho os ombros. Não, não me cuido tanto como deveria. Tenho sorte de ter uma pele minha amiga e tenho cara de moça pequena. Já não é mau. É meio caminho andado para não me dar uma crise de meia-idade. Contudo, nada disto me passa ao lado ou me é indiferente. Tenho ainda tanta coisa por fazer, tanto sonho por cumprir, tanta cidade para conhecer..
 
O tempo pesa - e de que maneira! - quando sabemos que daqui para a frente todos os passos devem ser cuidadosamente estudados e calculados. Lá atrás vão os vinte anos, o tempo de viver por impulso, de deixarmos a nossa vida à sorte. O nosso futuro é já amanhã. E o tempo diz-me que tenho de me despachar a viver, sob pena de já ter tido todo o tempo do mundo e nada ter feito por mim.