21.8.14

Não me venham falar de fraquezas. Só fazemos o papel de coitadinhos e desgraçados se realmente o quisermos. 

A mania típica dos portugueses, de se queixarem de tudo e todos, de viverem sempre como se tivessem uma corda amarrada ao pescoço, ou a sofrer de lepra. Não se aguenta. Aprendi nos últimos dias a viver de uma maneira diferente, a olhar para as situações e para a minha vida com outros olhos. Regra geral, um dia menos bom era logo motivo para baixar os braços e atirar a toalha ao chão, dizer mal deste mundo e do outro e desanimar.

Tenho convivido com pessoas que me mostram e me ensinam que o meu queixume, muitas vezes, é coisa de menina mimada. E essas pessoas nem se apercebem que me estão a dar uma lição de vida. Uma lição que faz de mim, mais e melhor pessoa, profissional, colega. E isso não tem preço.
Sem serem extraordinárias, são motivadoras. Sem terem super-poderes, são fortes e resistentes. Fazem o que podem, como podem, com o que podem e da maneira que podem, sempre com um sorriso nos lábios, uma palavra amiga e um espirito de entre-ajuda extraordinário.

Trabalho nesta empresa e neste ramo há 10 anos. Nunca me tinha sentido verdadeiramente assim. Nunca tinha feito parte de uma equipa. Agora, sei o que isso é.

Sei que há trabalhos piores que o meu, situações precárias, abusos, explorações. Sei que há trabalhos mais duros, mal pagos, indecentemente protegidos e valorizados. Mas não posso falar dessas realidades, porque não as conheço. Conheço a minha.
Acordar às duas e meia da manhã, para entrar às quatro. Trabalhar de pé, a maior parte do tempo; o desgaste físico, a exposição a agentes agressores, a doenças; o risco que a minha profissão tem; atender pessoas, de preferência com um sorriso nos lábios, mesmo as que nos maltratam e mesmo assim trabalhar com afinco porque estamos a tentar proteger essas vidas; comer quando calha e à hora que der, quando dá; Sair quando pode ser, que quase nunca é mesmo à hora da nossa saída, oito, nove, dez horas depois disto. Chegar a casa e pensar em desistir mil vezes. E mesmo assim, voltar a acordar todas as noites à mesma hora. E levar a profissão a sério.

Não. Não é para todos. Mas também não é para super-homens e mulheres maravilha. Somos todos comuns mortais. E não, não podemos ser coitadinhos nem desgraçados. Não nos podemos sentir assim nem permitir que pensem isso de nós. Há sempre quem faça muito mais e dê muito mais de si, que nos envergonha na nossa patética maneira de ser. Sempre a dramatizar, a lamentar, a chorar sem lágrimas.

Saio daqui diferente. Muito diferente. E só tenho a agradecer.

7.8.14

Os primeiros dias. >>


Chegámos e estranhámos. Isto é um mundo completamente diferente. Realidades diferentes, métodos diferentes, pessoas diferentes. Muito diferentes. E se eu vinha com uma ideia pré-definida do que provavelmente poderia encontrar, a vida ensinou-me mais uma vez a não dar nada como garantido. E a vida surpreende-nos pela positiva, de vez em quando.
Graças aos santinhos, somos duas pessoas muito despachadas. Acho que depois disto, podemos ir fazer uma perninha a qualquer lado do planeta. O mais certo é que nos safemos maravilhosamente.
Estamos a aprender muito com estas pessoas que, mesmo trabalhando no mesmo ramo que nós, o fazem de maneira diferente, com condições diferentes e, por incrível que pareça, com um entusiasmo e uma dedicação muito superiores à que estou habituada. E se esta não for uma das lições mais importantes e valiosas que levo desta experiência, então não sei o que será.
Dou por mim a achar que todos os que trabalhamos lá no Algarve, deveríamos fazer uma temporada na capital e aprender com estas pessoas uma das qualidades mais importantes para se trabalhar em equipa: companheirismo.
Estamos de quatro, cansados, estoirados mesmo. O ritmo é alucinante; o desafio é tentador e viciante. Embora nos saia do corpinho e nos doa tudo quanto é músculo e articulação, saímos de serviço com a sensação de termos feito tudo o que podíamos pelo nosso turno, com a sensação de dever cumprido.
E apenas se passaram cinco dias. Portanto, isto promete!



1.8.14

primeiro de agosto


Era suposto estar no Algarve. Não de férias, como a grande maioria, mas a trabalhar. Em vez disso, estou na capital. Não de férias, como gostaria, mas a trabalhar. Uma realidade diferente, que abraço com todo o profissionalismo que tenho e que espero que me surpreenda pela positiva.
É só um mês; são só 31 dias, com a agenda cheia e preenchida até nas horas vagas. Queremos muito aproveitar tudo, mas o trabalho não é propriamente fácil para nos dar a energia que precisamos para satisfazer as nossas vontades. Veremos o que nos espera.
Olá Agosto! Faz-nos o favor de ser um mês excelente.