19.3.14

uma playlist poderosa.


Reavaliar | Repensar | Reestrututar

Estamos a meio da semana. Depois de uns dias complicados, às voltas com a saúde dos pequenos [e fé em Deus que as coisas se estão a compor], eis que voltamos ao ponto de partida para voltar a planear todos os nossos projectos.
Estamos a uns dias de ir apanhar o nosso avião e aterrar em Londres. Já começo a sentir a adrenalina, o nervoso miudinho daquelas horas que antecipam uma viagem.
Esta viagem que nada tem de turistico, mas que vamos aproveitar para passear nos tempos livres. Já lá vão sete anos desde que estivemos em Londres. Ficou tanta coisa por ver, que agora até parece que vamos lá pela primeira vez.
Entretanto - e enquanto a hora do avião não chega - tenho de me concentrar e estudar que nem uma maluca. Ou vou bem preparada, ou lixo-me na certa. Dar parte de fraca ou fazer má figura não estão nos meus planos, por isso, arregaço as mangas e concentro-me nos pontos essenciais a reter.

Entretanto, o sol brilha, as andorinhas já voam por aqui, a temperatura ficou amena - tão boa, como eu gosto! A minha querida primavera está a chegar, de mansinho, sorrateira e feliz. E isso aumenta o nosso bom astral, deixa-nos felizes, dá-nos energia. E já não era sem tempo!

E, de entre todas, a minha favorita  She's only happy in the sun

11.3.14

agenda para 2014 [em aberto..]


Revisitar Londres | Grace do Mónaco | Ouvir no Rock in Rio | Apostar mais alto

11 M



Enquanto eu puder recordar este dia, assim o farei. Porque há coisas que não se explicam, há sentimentos que não se definem, há memórias que têm de ser partilhadas. Para que nunca esqueçamos que inocentes pagam caro por uma guerra que não é sua. Porque a vida não tem preço, porque o amor e a paz deviam estar acima de qualquer coisa.. porque dias assim me deixam de coração apertado. Porque manter viva a memória é tudo quanto podemos [ainda] fazer.

* em memória das vitimas dos atentados de 11 de Março - Madrid.

A Faringite que afinal não era.

Suponhamos que eu paguei 75 euros num hospital privado por uma consulta de urgência na pediatria. Que na mesma urgência, a pediatra que viu o meu filho examinou-o por cerca de cinco minutos. Diagnosticou faringite, mandou suprimir os analgésicos porque diz que assim camuflamos a febre e dá-nos ordem de soltura com maxilase e ''isso passa''. Suponhamos que eu fiquei contente com o resultado e plenamente confiante no olho clínico da senhora.
Suponhamos que eu me deixava estar, indiferente aos berros de dor, dos choros, da dificuldade em comer e engolir, da impertinência constante e do mal estar geral.
Provavelmente, a esta hora, as coisas já estariam bem piores.
Como não consegui ficar indiferente ao sofrimento do meu filho, no fim da tarde fui ao pediatra do coração.
Uma hora depois de ter sido cuidadosamente examinado e 75 euros depois, saímos de lá com tratamento para a estomatite aftosa. Tudo a ver com o primeiro diagnóstico.
E eu juro que não consigo entender estas coisas. Privado, público, carniceiros ou feiticeiros, com dinheiro ou sem, se não temos sorte [porque é cada vez mais disso que se trata - ter sorte!] acabamos por andar enrolados e piorar situações que podiam ser facilmente resolvidas.
Cento e cinquenta euros depois, mais despesas de farmácia e deslocações, o meu filho está a ser tratado para o problema que realmente tem. Se tivesse ido ao público, provavelmente teria tido sorte melhor. Ou não, porque os pediatras que servem a urgência publica são os mesmos que estão no privado. Nunca saberei.
Só tenho apenas uma certeza: vou fazer uma reclamação por escrito para o hospital privado. E nunca mais quero os meus filhos nas mãos daquela doutora.

10.3.14

Sabores de Outono, com vista na primavera.



esta receita »» aqui.
é fazer, provar, fechar os olhos e idealizar o céu. é ali, em cada dentada. ♥






E há lá coisa que menos esperava por estes dias? O gaiato sem um "ai" por mais de quinze dias? Estranho, pois sim senhor. Até este fim de semana. Duas noites sem dormir, aos berros (literalmente), eis que temos o veredicto: olá sô dona Faringite, como tem passado?

...

Caramba, já não há pachorra para isto. Uma pessoa vê uns raios de sol e pensa, já está, acabaram-se as ites e companhias. Daqui para a frente é só calor e saúde. Wrong! Completamente wrong. Que isto de se ter moços pequenos já se sabe como é.
E a mim que, de vez em quando, me passa pela cabeça ter três? Doente, não? Só posso.

6.3.14

Esta minha filha..

Tem dias em que é um doce: faz tudo o que lhe mandamos, respeita as ordens, cumpre tarefas sem queixumes. Nunca foi de birras, nem de chinfrins. Mas tem uma veia que me deixa os cabelos em franja: faço o que me dá na bolha sem tomar atenção se realmente estou a fazer bem. E depois do mal estar feito, fica a olhar para nós, tipo carneiro mal morto, à espera da solução.
Desta vez vou ter de a ensinar a assumir os seus erros. Prometeu à sua melhor amiga que lhe oferecia um frasco de Nutella com o nome da menina. O pai comprou-lhe ontem o dito frasco e trouxe o autocolante com o nome da menina. Hoje ela achou que decidia o futuro daquilo. Vai daí, cheia de boas intenções -eu sei- colou o autocolante directamente no frasco por encetar. Resultado? Quando a amiga encetar o frasco, vai-se a personalização à vida. E o frasco de Nutella a dizer Matilde vai continuar a dizer Nutella, como outro qualquer frasco de Nutella normal.
Quando lhe expliquei o que tinha feito, perguntou se podia comprar outro. Não, não podes. E amanhã vais explicar à tua amiga que não tens nada para lhe dar porque estragaste o frasco.
Segundos depois achei que estava a ser dura, mas sei que assim ela vai aprender a lição de que se não sabe ao certo o que está a fazer, deve procurar ajuda.

E vou comprar outra Nutella e mais um autocolante a dizer Matilde e levo no fim das aulas. Sim, porque eu sou mãe, não a Cruella.

5.3.14

Tudo a postos. Detalhes pensados, datas definidas, tudo planeado e organizadinho. Agora, a parte mais difícil da questão: gerir o meu tempo para me preparar para o que aí vem. Tudo isto com uma certeza, dar o melhor de mim. Tudo isto com a convicção de que quem não corre atrás do que quer, tem de se contentar com o que lhe sobra.
Se consigo ou não, não sei. Uma lufada de sorte [muita mesmo] e uma boa dose de concentração e trabalho árduo fazem parte deste novo cardápio. Também não esperava que fosse fácil. E as batalhas mais renhidas são as mais saborosas.
Entretanto - e enquanto os dias não passam e eu me agarro de unhas e dentes a isto - já ganhei na barriga um montão de borboletas, que não me deixam esquecer o quão nervosinha estou. E cada vez que penso que estou quase lá, sinto-me tão bem. Assim. 


uma verdade [quase] inquestionavel

Por cada pessoa que te diz «vai em frente», aparecem dez para te desencorajar.

4.3.14

Estamos a poucos dias do regresso da minha adorada Primavera. Mas, por incrível que pareça, parece que os dias ficaram mais frescos, mais ventosos. Aqui na minha praceta, as árvores já lançam aquele pólen amarelo, que pinta os carros e faz uma grande porcaria nos vidros. Os bichos estão a voltar aos poucos, a habitar a nossa varanda.. e parece-me ter ouvido andorinhas esta tarde.
Quero muito tardes amenas, quero muito aquele calor do meio-dia, quero muito café na esplanada sem cachecóis e edredons em cima. Can't wait for you, dear Spring.
Dizem que o bom atrai o bom. Que termos uma posição positiva e optimista nos leva a alcançar as nossas metas mais longínquas, os nossos patamares mais elevados. Parece-me bem. Embora me custe um bocado a acreditar que só com os pensamentos positivos é que lá chegamos, porque isto de viver tem mais do que se lhe diga. A vida não é perfeita para ninguém, não é cor-de-rosa ou azul ou da cor que lhe quisermos dar, porque os dias cinzentos e negros existem, os maus momentos acontecem, os infortúnios assombram.
Vai daí, dei por mim a questionar-me que raio de psicologia é esta, a de que estamos sempre muito bem e felizes, que a vida nos corre de feição, que encontramos sempre o caminho e as pessoas certas, invariavelmente as mais felizes também com a vida. E que tipo de realização, tanta felicidade e bem-estar nos proporciona esta postura sobre a vida.
Num dos blogs que costumo seguir, transpira-se felicidade. É porque sim, é porque não, é porque ai-que-eu-tenho-a-família-mais-feliz-do-mundo, é porque a minha casa blá blá blá, é porque eu só como coisas boas, posso estar do tamanho de um urso panda, mas sou tão feliz à mesma, extremamente realizada, sortudamente feliz. Não invejo, não critico, não condeno. Tenho o discernimento de não voltar a lêr, se assim o entender, afinal de contas sou uma pessoa adulta, que sabe bem por que caminhos andar. Para além disso, cada um faz do seu blog o que quer, escreve sobre o que quer, dá-lhe o tema que quer.
Mas desconfio. Desconfio sempre muito destas felicidades plenas e com ar de muito pouco naturais. Confesso que, para além de desconfiar, também admiro um bocado a capacidade de transparecer sempre que a felicidade é possível.
Mas.. e há sempre um mas para mim, não sei até que ponto estas posturas optimistas e positivas não deixam de ser um pouco falsas. Para quem defende com unhas e dentes a autenticidade das pessoas, impingir sempre a mesma cantiga de que somos todos muito felizes, parece-me contraditório. 
As pessoas zangam-se, as pessoas discutem, as pessoas perdem coisas, perdem oportunidades, acordam feias e sem disposição para fazer repastos culinários aos filhos; as pessoas chegam atrasadas, têm acidentes no trânsito; as pessoas ficam doentes, perdem empregos, têm contas para pagar; as pessoas não acordam e se deitam felizes todos os dias, porque as pessoas têm frustrações e medos, têm momentos de angustia e desespero. E as pessoas são assim porque a vida não é um conto de fadas.
Não concordo que se faça este tipo de lavagem cerebral, ao estilo da psicologia mais barata, que mais parece um tapar o sol com a peneira. Ensinem às pessoas que viver custa, que tem dias maus, mas que os bons fazem-nos esquecer os maus; escrevam que choramos muito mais do que gostaríamos, mas que muitas vezes é da raiva e da frustração que vamos arranjar força para seguir em frente; expliquem que estar triste não é o fim do mundo, pelo contrário, ensina-nos a valorizar muito mais pequenas coisas a que não damos importância. Escarrapachem nos vossos textos mensagens de paz, de amor, de conquista. Estas coisas são possíveis depois de grandes tormentas nas nossas vidas. Somos pessoas de carne e osso, temos os nossos defeitos, as nossas qualidades, as nossas grandezas e os nossos momentos de fraquezas. Vencemos, erramos, fazemos disparates. Vivemos. E [todos] sabemos isto: a vida não é um conto de fadas, por isso deixem de querer parecer princesas da Disney.